Título: Denúncia de propina complica ainda mais situação de Roriz
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Fonte: O Globo, 08/08/2010, O País, p. 4
Ex-governador do DF teria pago a suposto laranja para garantir silêncio
BRASÍLIA. A existência de um vídeo no qual o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz (PSC) pagaria propina pelo silêncio de um suposto laranja em seus negócios deve dificultar ainda mais as pretensões do político.
A candidatura dele ao governo foi barrada esta semana pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) por causa da Lei da Ficha Limpa.
Divulgada neste fim de semana pela revista Veja, a denúncia virou munição para os adversários e pode pesar na decisão das cortes superiores, ao analisarem recursos para mantêlo em campanha. Uma avaliação reservada feita ontem por integrantes do Tribunal Superior Eleitoral indicava que a nova denúncia deve reforçar a decisão aprovada na quarta-feira pelo TRE de negar o registro do ex-governador.
Conforme a reportagem, Roriz aparece nas imagens contando maços de dinheiro para entregar a André Alves Barbosa, que seria seu testa de ferro em imóveis e operações bancárias.
Barbosa teria filmado o encontro e, em relato à revista, sustenta o pagamento de propina.
O ex-governador admite que a conversa ocorreu em sua casa, no início do ano, mas alega que o dinheiro era para ajudar o avô do denunciante, Geraldo Alves Barbosa, com quem fez negócios agropecuários no passado.
Nas imagens, ainda não divulgadas ao público, Roriz apareceria entregando R$ 10 mil a Barbosa. Também se comprometeria a honrar, em nome dele, dívida no Banco Real. Depois das eleições (...) vou ao banco, teria dito o ex-governador. O débito foi contraído pela família de Barbosa em 1995.
Como garantia, teriam sido oferecidos 12,5 mil alqueires da Fazenda Queimados, em Goiás.
Em 2000, ao menos parte da propriedade foi transferida a Osvaldino Xavier, empresário que tinha contrato de recolhimento de lixo com o Governo do Distrito Federal e que seria amigo de Roriz. Mas, questionado por Veja, Juliano Roriz, neto do exgovernador, diz que é o dono.
Roriz explicou, por meio de sua assessoria de imprensa, que foi procurado por Barbosa com pedido de ajuda financeira para o avô, com quem já fez transações para arrendamento de terras e compra de gado. Segundo ele, desde 1994 a família tenta prejudicá-lo em campanhas, levando acusações à imprensa em eleições. Questionado sobre por que aceitou ajudar, informou que o fez pela amizade com o patriarca.
A campanha negou pagamento de propina e justificou que a Agropecuária Palma, das filhas do ex-governador, comprou de Osvaldino parte da fazenda. Por isso, o neto de Roriz teria se apresentado como dono. Nos bastidores, interlocutores do político acusaram Barbosa de ter cobrado R$ 50 milhões para não divulgar o suposto vídeo.
Diante das acusações, os aliados de Roriz já armaram sua estratégia. O objetivo é mantê-lo em campanha, agregando ou segurando o máximo possível de votos para a chapa.
Ele é o líder nas pesquisas.
Caso o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou o Supremo Tribunal Federal (STF) mantenha a decisão de vetar sua participação nas eleições, o plano B seria substituí-lo pelo atual candidato a vice, o deputado federal Jofran Frejat (PR), tendo como companheira de chapa uma de suas filhas.