Título: OIT: falta emprego para 81 milhões de jovens
Autor: Ribeiro, Fabiana
Fonte: O Globo, 12/08/2010, Economia, p. 32

Taxa de desocupação no mundo sobe de 12,1% em 2008 para 13% no ano passado, a maior variação em 20 anos

ILANA MOSCAVITCH: ¿Está muito difícil conseguir alguma vaga¿

A crise financeira global atingiu mais fortemente o mercado de trabalho dos jovens no mundo. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), das cerca de 620 milhões pessoas economicamente ativas entre 15 e 24 anos, 81 milhões estavam desempregadas no fim de 2009 ¿ o maior número já registrado. Com isso, a taxa subiu de 12,1% em 2008 para 13% no ano passado ¿ a maior variação anual em 20 anos, invertendo a tendência de declínio do desemprego desde 2002. Já a taxa geral passou no mesmo período de 5,8% para 6,4%.

O relatório alerta, contudo, que a taxa de desemprego dos jovens ainda deve subir mais este ano, para 13,1%, atingindo 81,2 bilhões de pessoas. No ano seguinte, a expectativa é que ocorra uma diminuição para 78,5 milhões de jovens com uma taxa de 12,7%. Já a recuperação do mercado de trabalho dessa faixa etária ficará atrás da dos adultos ¿ um ano ou mesmo até dois anos antes. Para os adultos, a estimativa é que a taxa fique em 4,8% este ano e que caia para 4,7% em 2011.

Desemprego dos jovens pode piorar pobreza no mundo

Segundo a OIT, essas tendências trarão ¿consequências significativas para os jovens e as gerações futuras vão engrossar as fileiras dos desempregados já¿.

¿ As consequências da crise econômica e financeira ameaçam agravar os preexistentes déficits de trabalho decente entre os jovens. O resultado é que o número de jovens em trabalhos precários cresce e este ciclo pode persistir por pelo menos mais uma geração ¿ comentou Juan Somavia, diretor-geral da OIT, para quem ¿os jovens são os motores do desenvolvimento econômico¿. ¿ É importante se concentrar em estratégias globais e integradas que combinem educação e formação, com políticas de emprego orientadas para a juventude.

De acordo com o estudo da OIT, as taxas de desemprego entre os jovens aumentaram 4,6 pontos percentuais em economias desenvolvidas e na União Européia entre 2008 e 2009, passando de 13,1% para 17,7%. Já na Europa Central, no Sudeste da Europa e na antiga União Soviética, a taxa avançou 3,5 pontos percentuais, de 17,3% para 20,8%. Estes foram os maiores aumentos anuais das taxas de desemprego dos jovens já registrados em toda a região.

¿ Com a crise afetando fortemente as economias dos Estados Unidos e da Europa, é natural que essas regiões apresentem taxas elevadas e avanços no desemprego dos jovens. Em crise, são os jovens os mais suscetíveis a perder o emprego, já que lhes faltam formação e experiência ¿ disse Roberto Gonzalez, especialista do Ipea. ¿ De qualquer maneira, taxas de desemprego elevadas entre os jovens pode agravar a pobreza no mundo.

Na região da América Latina e do Caribe, a taxa de desocupação dos jovens subiu de 14,3% em 2008 para 16,1% em 2009. Para 2010 e 2011, as projeções são de 15,8% e 15,2%. Mas, na opinião de Cimar Azeredo, gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, o retrato do mercado de trabalho brasileiro nas principais regiões metropolitanas do país mostra um cenário mais positivo.

`Empresas nem informam porque não vão te contratar¿

Pelos dados do IBGE, a taxa de desocupação dos jovens (de 18 a 24 anos) foi de 16,1% em junho de 2010 ¿ abaixo de junho de 2009 (17,6%), apesar de acima da média para a região. Já a dos adultos passou de 6,6% para 6,1%.

¿ A variação entre os jovens foi maior (-8,3% contra -7,3%). Com a crise, o mercado de trabalho no Brasil deixou de melhorar. Mas o desemprego do jovem, tradicionalmente maior, não se acentuou por causa da crise ¿ disse Azeredo.

Apesar da melhora no mercado de trabalho dos jovens no Brasil, muitos brasileiros buscam trabalho, mas sem sucesso. Ilana Moscavitch, de 24 anos, está há dois meses desempregada. Desde junho, quando foi demitida da joalheria onde trabalhou por dois anos, a universitária já mandou currículos para mais de dez empresas.

¿ Está muito difícil conseguir alguma vaga. Procuro pelo mesmo cargo que ocupava, o de assistente de marketing, mas não encontro. O pior: as empresas nem informam porque não querem te contratar ¿ disse Ilana, que cursa o sétimo período de publicidade. ¿ Já tive a chance de estagiar em agências, mas pagam muito mal e a carga horária é muito puxada. Preferi não aceitar.

COLABOROU: Rennan Setti