Título: STF conclui depoimentos do mensalão
Autor: Brígido, Carolina
Fonte: O Globo, 13/08/2010, O País, p. 14
Previsão é que tribunal julgue os 40 reús em 2011, entre eles, José Dirceu
BRASÍLIA. O mais volumoso processo do Supremo Tribunal Federal (STF) está mais perto de terminar. Foi concluída ontem, oficialmente, a fase de depoimentos de testemunhas de defesa da ação penal do mensalão que investiga se houve pagamento de propina pelo governo federal a parlamentares em troca de apoio em votações importantes no Congresso. A expectativa é de que a Corte julgue os 40 réus em 2011. Entre os protagonistas do caso investigado estão o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu e Marcos Valério, suposto operador do esquema.
Agora, será aberto prazo para que os advogados de defesa e o Ministério Público solicitem novas diligências. Depois, réus e acusação apresentarão alegações finais. Em seguida, será a vez de o relator, ministro Joaquim Barbosa, elaborar relatório e voto para serem apresentados em plenário. Ele poderá propor a condenação ou a absolvição.
O processo começou com o depoimento dos réus e, em seguida, foram interrogadas 38 testemunhas de acusação. A fase mais demorada, que se prolongou pelos últimos 18 meses, foi a oitiva das mais de 600 testemunhas de defesa em todo o país algumas também residentes no exterior. Tanto conteúdo já contabiliza cerca de 39.500 folhas, divididas em 184 volumes e 460 apensos. Só agora Joaquim começará a ler as transcrições.
Ontem, Joaquim levou ao plenário uma questão de ordem.
Uma das testemunhas de defesa Adésio Lima, indicado pelo réu Henrique Pizzolato não tinha sido encontrada. O réu forneceu três endereços errados. O relator questionou se o processo poderia prosseguir sem o depoimento da testemunha, já que o réu tem a obrigação de fornecer o endereço correto. Os demais ministros concordaram e Adésio Lima não será ouvido.
Em uma outra questão de ordem, a ré Geiza Dias dos Santos pediu que o processo fosse desmembrado.
No STF, ficariam os parlamentares, que têm direito ao foro privilegiado. O restante iria para a primeira instância da Justiça. Os ministros negaram o pedido, com base em uma decisão tomada anteriormente.