Título: Fórum prega revoluções para país se desenvolver de fato
Autor: Passos, José Meirelles
Fonte: O Globo, 13/08/2010, O País, p. 14
"Estamos nos contentando com muito pouco", diz João Paulo dos Reis Velloso
O Fórum Nacional e a Cúpula Empresarial decidiram elaborar um Plano de Desenvolvimento Nacional, contendo medidas práticas para transformar o Brasil em país desenvolvido ao longo das próximas duas ou três décadas.
Ele foi oferecido ontem, na sede da Academia Brasileira de Letras, aos quatro principais candidatos presidenciais como uma espécie de manifesto da sociedade brasileira. Chegou a hora da insatisfação, diz uma de suas principais premissas.
Com o subtítulo A hora e a vez do Brasil, o documento contém a receita básica do que os autores definiram como as seis revoluções para transformar o Brasil, país emergente, em desenvolvido: na sociedade (cidadania ativa e oportunidade para todos), na política, no governo (governar sem clientelismo), na competitividade (oportunidades estratégicas de investimento), na cultura, e em termos de inserção internacional.
Quando temos crescimento de 5% ao ano achamos muito bom. Estamos nos contentando com muito pouco. Para colocar o Brasil no século XXI, ao qual ainda não chegamos, precisamos de uma economia social de mercado, como fez a Alemanha no pós-guerra, mergulhando na economia do conhecimento disse o ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso, presidente do fórum.
Apenas dois candidatos compareceram: Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL). Dilma Rousseff foi representada pelo seu companheiro de chapa, Michel Temer (PMDB). José Serra (PSDB) não enviou representante.
A educação é mencionada no estudo como um dos elos mais frágeis do Brasil. Tínhamos uma educação ruim, para poucos. Hoje, temos uma educação ruim para muitos, menciona o documento. Marina elogiou a iniciativa. Já Plínio limitouse a citar itens de sua plataforma de governo. E, arrancando risos da plateia, afirmou que, para o Brasil realmente se desenvolver, deveria extinguir o Senado.