Título: Lucro da Petrobras cresce 11% no semestre
Autor: Rosa, Bruno; Ordoñez, Ramona
Fonte: O Globo, 14/08/2010, Economia, p. 29

Ganho atinge R$ 16 bi, mas endividamento se aproxima do limite e meta de investimento depende de capitalização

O lucro da Petrobras cresceu no primeiro semestre do ano, mas a luz amarela acendeu para sua capacidade de investimentos.

A Petrobras anunciou ontem que fechou o primeiro semestre do ano com um lucro líquido de R$ 16,02 bilhões, representando aumento de 11% em relação aos R$ 14,4 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.

Mas o seu nível de endividamento atingiu, ao fim do primeiro semestre, 34% do seu patrimônio. A Petrobras utiliza uma variação entre 25% e 35%, no máximo. No fim de junho, o total de endividamento atingiu R$ 118,4 bilhões, um aumento de 9% em relação aos R$ 108,1 bilhões registrados no primeiro trimestre do ano.

O diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, admitiu que a operação de capitalização da companhia, prevista para acontecer no mês que vem, é fundamental para a companhia conseguir cumprir seu programa de investimentos para 2010, de R$ 88,6 bilhões.

No primeiro semestre deste ano, os investimentos da estatal atingiram R$ 38,1 bilhões, o que representa um aumento de 17% em relação aos R$ 32,5 bilhões registrados em igual período de 2009.

A capitalização é parte da nossa programação. Não se pode fazer uma programação, cortar a metade dela e continuar com a outra metade.

A emissão de capital novo é parte da programação feita pela companhia destacou Barbassa.

Diretor diz que plano de investimento será cumprido O diretor explicou que, justamente pelo fato de o percentual de endividamento em relação ao patrimônio da Petrobras ter atingido 34%, próximo ao seu limite, é que a capitalização está sendo programada.

Por isso a companhia está trabalhando em uma emissão de ações, para restabelecer a estrutura de seu capital. Estamos trabalhando para realizar essa operação em setembro. Não temos nenhuma preocupação assegurou Barbassa.

O executivo garantiu que a companhia vai conseguir cumprir o programa de investimentos para este ano.

Ele também destacou os resultados obtidos no primeiro semestre.

Os resultados estão em linha com o que estamos planejando, com resultados crescentes, investimentos crescentes, descobertas ótimas disse o diretor da estatal.

No segundo trimestre do ano, o lucro da companhia atingiu R$ 8,29 bilhões, 7% acima dos R$ 7,7 bilhões verificados entre janeiro e março, que é também o mesmo valor do lucro líquido do segundo trimestre de 2009.

De acordo com o diretor financeiro da Petrobras, o resultado se deveu principalmente ao aumento em 2% da produção nacional de petróleo, que atingiu a média de 2,3 milhões de barris por dia, e ao aumento das vendas no mercado interno dos combustíveis, de 11% no semestre.

Além desses fatores, Barbassa ressaltou a recuperação dos preços internacionais do petróleo.

No primeiro semestre do ano passado, os preços do óleo Brent (referência do mercado) eram da ordem de US$ 50 o barril, e no primeiro semestre deste ano ficaram em US$ 85 disse Barbassa.

Os resultados da Petrobras vieram acima da expectativa dos analistas. Eduardo Roche, da Modal, ressaltou que o aumento de produção já era esperado. Ele lembrou que a expectativa média do mercado apontava lucro líquido de R$ 7,9 bilhões no segundo trimestre.

O resultado da Petrobras não vai influenciar o desempenho das ações, já que todo o mercado está concentrado apenas na capitalização da companhia afirmou Roche.

Ações da estatal subiram até 0,47% e puxaram Bolsa de SP Segundo Osmar Camilo, analista da Socopa, o destaque é o bom nível de produção.

De acordo com um analista do mercado, já se falava durante a tarde que a estatal apresentaria lucro de R$ 8,3 bilhões.

Apesar de as estimativas do mercado serem menores, ganhava força, no início da tarde de sexta, que a estatal teria um lucro de R$ 8,3 bilhões.

O boato foi certeiro avaliou esse analista.

Em relação aos custos, a Petrobras conseguiu, segundo Barbassa, manter a média do ano passado. O custo de produção de petróleo no primeiro semestre do ano foi de R$ 17,55 por barril, contra R$ 17,58 no início de 2009.

O saldo líquido do total das exportações de petróleo e derivados, deduzidas as importações, foi de 142 mil barris diários no primeiro semestre deste ano, contra saldo líquido de 180 mil barris diários em igual período de 2009.

No entanto, com o aumento do valor das cotações internacionais do petróleo pesado o tipo que é exportado pelo Brasil , o saldo líquido em termos de receita foi de US$ 1,46 bilhão, contra US$ 1,3 bilhão no ano passado.

A venda de derivados totalizou no primeiro semestre 1,87 milhão de barris, influenciada pelo aquecimento da economia. Esse consumo representou um crescimento de 11% em comparação ao 1,6 milhão no ano passado.

Na expectativa do balanço, a ação preferencial (PN, sem voto) da Petrobras subiu 0,47%. Já a ordinária (ON, com voto) teve alta de 0,19%. Os papéis da estatal puxaram a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que fechou com ganho de 0,45%.