Título: Produção de elenco e público gigantes
Autor: Jungblut, Cristiane; Vasconcellos, Fábio
Fonte: O Globo, 15/08/2010, O País, p. 10

Com a estreia do programa eleitoral, candidatos tentam atrair o voto de 135 milhões

Gerson Camarotti, Flávio Freire, Sérgio Roxo e Elenilce Bottari

RIO, SÃO PAULO e BRASÍLIA.

Com cerca de 22.400 candidatos um elenco jamais visto em qualquer programa de rádio ou televisão , estreia nesta terçafeira o programa eleitoral gratuito.

O público estimado é de 135,804 milhões de eleitores, que terão 130 horas de programação eleitoral, além de inserções diárias entre 17 de agosto e 30 de setembro, para conhecer as propostas dos nove candidatos à Presidência, dos 270 candidatos ao Senado e dos mais de 20 mil aspirantes a deputado estadual, distrital e federal.

Primeiro a aparecer no horário eleitoral, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, apresentará no programa dirigido pelo marqueteiro Luiz Gonzalez propostas com base no tripé que pretende explorar nos próximos 45 dias na TV: saúde, educação e segurança. O tucano reforçará críticas aos gargalos de infraestrutura que teriam sido provocados pelo governo federal, com destaque para sucateamento dos portos e falta de investimentos na malha aeroviária. A superlotação dos aeroportos surgirá como alerta para os períodos em que o país sediará a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

Serra usa origem humilde, Dilma explora continuidade Para a abertura, haverá comparação da biografia com a de outros candidatos, principalmente com a da petista Dilma Rousseff. Para isso, foram levantados números, imagens e depoimentos relativos à trajetória de Serra. Servirão de bandeiras o programa de prevenção à Aids e mutirões de saúde, entre outros temas.

A origem humilde do tucano na Mooca, como filho de pai analfabeto e mãe dona de casa, voltará a ser explorada. A ideia é tentar descolar de Serra a imagem de representante da elite.

No campo pessoal, Serra tem acertado o visual: foi ao dentista e ao dermatologista, e tem dormido mais para evitar olheiras.

O programa de Dilma, por decisão do presidente Lula, terá como principal objetivo reforçar sua identidade como a mais capacitada para continuar o projeto de governo. Nos bastidores, Lula tem sido consultado pelo marqueteiro João Santana. O objetivo é explorar a parceria com Lula para atrair um quarto do eleitorado que ainda desconhece essa relação. Haverá comparação entre os governos de Lula e Fernando Henrique Cardoso.

Nos primeiros programas, Dilma vai aparecer no extremo Sul do país, enquanto Lula gravou um programa no Norte, para mostrar a integração nacional proposta pelos dois.

O comando do PT identificou que Serra radicalizou nas críticas nessa primeira fase da campanha para segurar o eleitorado conservador. Agora, para evitar rejeição, mudará a postura na propaganda eleitoral e tentará passar que é mais preparado.

Por isso, o programa de Dilma reforçará que ela é quem tem mais condições de dar continuidade, com a vantagem de não ser um político tradicional.

Com apenas um minuto e 23 segundos no horário eleitoral, a campanha de Marina Silva pretende apelar à criatividade para driblar a pequena exposição na televisão em relação aos adversários Dilma e Serra. A ideia é apresentar uma produção artística inovadora no primeiro programa para chamar a atenção.

Os detalhes são mantidos em segredo. O cineasta Fernando Meirelles, diretor de Cidade de Deus, tem contribuído com sugestões e chegou a participar da gravação do primeiro piloto do programa.