Título: Até pastas eficientes são questionadas
Autor: Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 15/08/2010, O País, p. 12
Para setor, Secretaria de Portos resolveu, mas é anomalia
Mesmo entre os novos ministérios considerados eficientes há críticas. Paulo Fleury, diretor do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), acredita que o caso da Secretaria de Portos é uma anomalia brasileira: A divisão do setor de transporte que, no mundo inteiro, cada vez mais é visto a partir da multimodalidade, é um absurdo.
Mas, ao menos temporariamente, funcionou no Brasil, pois o setor de portos estava parado e dominado por sindicatos.
Entretanto, isso tem que ser visto como uma solução emergencial e com data para acabar, pois, a longo prazo, cria ainda mais burocracia no setor.
Ele lembrou que o Ministério dos Transportes sequer tem um corpo técnico como o Ministério de Minas e Energia, e sempre foi dominado por políticos sem qualquer relação com o setor.
Em sua opinião, o ideal é recuperar a pasta, que não pensa a estratégia logística do país, só faz obras, muitas com interesses políticos. A pressão é muito forte no setor, tanto que os portos fluviais, mais comuns no norte do país, foram mantidos no Ministério dos Transportes, em grande parte porque e o titular da pasta, Alfredo Nascimento, é do Amazonas.
Sarah Reis, do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), considera que a Secretaria das Mulheres foi um grande avanço por ter colocado na pauta assuntos que eram tratados de forma muito isolada.
Ela enumera avanços: Há mais de 400 ações para a mulher espalhadas nos mais diferentes ministérios. Ter uma pasta específica permite uma melhor coordenação, auxilia no debate de novas políticas e multiplicação das ações em estados e municípios diz Sarah, dando o exemplo do aumento de denúncias contra a violência feminina pelo telefone 180. Claro que isso mostra um absurdo que ainda existe, mas demonstra que o canal é eficiente e que mais pessoas acreditam nele.
Planejamento tem órgão para resolver espólios Mudanças na estrutura do governo têm consequências. O Ministério do Planejamento ele próprio um neófito, criado por Fernando Henrique Cardoso possui um departamento de liquidações que cuida da burocracia causada por mudanças na estrutura governamental.
A simples alteração de um nome pode tornar inútil grande quantidade de material gráfico.
Alterações mais profundas mudam a vida de servidores.
O departamento de liquidações cuida de mudanças estruturais de mais de 20 anos.
Uma das maiores foi causada no governo Collor, que tentou governar com apenas 12 pastas.
Itamar Franco retomou a nomenclatura tradicional (por exemplo, voltando com Fazenda no lugar de Economia) e começou a ampliar o número de ministérios. Alguns se consolidaram, como Cultura e Meio Ambiente. (H.G.B.)