Título: Cristina dá novo golpe no Grupo Clarín
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Fonte: O Globo, 20/08/2010, O Mundo, p. 39

Conglomerado crítico ao governo perde licença para prover serviços de internet

BUENOS AIRES. O governo argentino subiu o tom ontem na briga com o Grupo Clarín, o maior conglomerado de mídia no país, ao revogar a licença de uma de suas empresas para fornecer serviços de internet. O ministro do Planejamento, Julio de Vido, anunciou que os clientes de Fibertel (mais de um milhão em todo o país) teriam ate 90 dias para mudar de provedor, levando a empresa a emitir um duro comunicado, condenando a medida "ilegal e arbitraria".

- O governo queria provocar um dano ao Grupo Clarín e de fato provocou. Não é verdade que a empresa deixará de fornecer serviços em 90 dias, porque existem ainda recursos administrativos e jurídicos, que podem levar anos. Mas os clientes da Fibertel foram surpreendidos pelo anúncio de um ministro de que, em três meses, ficarão sem internet - explicou ao GLOBO um dos advogados da empresa.

Governo alega irregularidade

Horas depois do anúncio, a empresa divulgou um comunicado afirmando que a "inédita resolução revela uma brutal atitude de fustigação contra uma empresa que foi a primeira a introduzir internet de alta velocidade na Argentina, há quase 13 anos". Os principais prejudicados, diz o comunicado, serão os consumidores, já que "a medida busca reduzir drasticamente a concorrência e consagrar o monopólio das (empresas) telefônicas (que também provem serviços de internet)".

De Vido alega que a licença foi revogada porque Fibertel realizou uma fusão com Cablevisión, outra companhia do Grupo Clarín, sem autorização da Secretaria de Comunicação. Mas os advogados da empresa dizem que a fusão foi autorizada pela entidade que regula as sociedades anônimas. Segundo eles, a única intenção do governo é prejudicar a holding multimídia, dona do jornal "Clarín", emissoras de rádio e TV, empresas de TV a cabo e internet.

Briga começou em 2008 por apoio do grupo a opositores

A briga dos Kirchner com o Grupo Clarín começou em 2008, quando estourou um conflito entre o governo e os ruralistas. O Clarín apoiou a oposição e, desde então, a presidente Cristina Kirchner não perde uma oportunidade de criticar a empresa, que ela chama de "o monopólio", e sua dona, Ernestina Herrera de Noble.