Título: Petrobras: em ritmo de espera pela capitalização
Autor: Carneiro, Lucianne; Bôas, Bruno Villas
Fonte: O Globo, 23/08/2010, Economia, p. 21

Às vésperas da definição sobre a operação, analistas dizem que não é hora de mexer com os papéis da empresa

Com as incertezas em torno da capitalização da Petrobras se acumulando, apesar da proximidade da data prevista para a operação, os analistas são categóricos nas suas recomendações ao investidor: não faça qualquer movimento agora.

Quem tem ações da empresa não deve vender os papéis. E a orientação para o investidor que quer comprar ações da Petrobras é a de manter distância dos papéis até que o plano de capitalização seja anunciado e se possa avaliar se o negócio será vantajoso. Os próximos dias, apontam especialistas, serão fundamentais na definição do modelo de capitalização.

As idas e vindas da capitalização da estatal, anunciada oficialmente no ano passado, penalizaram fortemente suas ações. No ano, a ação ordinária (ON, com direito a voto) da Petrobras cai 25,83%, enquanto a PN (preferencial, sem voto) tem queda de 25,39%. Isso significa que quem tivesse mil reais em ações PN da Petrobras no último dia do ano passado, veria seu capital reduzido para R$ 746,10 na última sexta-feira, sem considerar ganhos de dividendos.

No mesmo período, o Ibovespa, principal referência do mercado, recua 2,79%.

Não é o momento de se mexer. Quem tem a ação não deve incorporar o prejuízo, mesmo que o preço possa cair mais, já que o cenário é positivo para a empresa a médio e longo prazo.

E, para quem tem dinheiro em caixa para investir, é mais prudente aguardar detalhes como a data da operação e o preço do barril afirma o analista de petróleo e gás da SLW Corretora, Erick Scott Hood.

Ações devem continuar voláteis até a capitalização A expectativa é grande nos próximos dias por detalhes que possam tornar mais clara a estrutura da capitalização. No início da semana passada, o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, disse que o governo divulgaria hoje o valor do barril da cessão onerosa.

Victor de Figueiredo, da corretora Planner, diz que as definições serão importantes para os investidores calcularem o interesse na oferta. Nas contas dele, acionistas minoritários terão que desembolsar de 27% a 37% do valor que já têm em ações para não verem sua participação na empresa diluída.

Além disso, ainda não estão definidas as regras para a participação dos trabalhadores que já são cotistas da Petrobras por intermédio dos fundos FGTS. O governo deve limitar a participação desses cotistas na capitalização ao valor de 30% do saldo que eles têm na conta vinculada.

Esta semana vai ser crucial para ver se o processo de capitalização vai andar e quais as condições do plano destaca a analista de petróleo da Ativa Corretora, Mônica Araújo.

Até que as principais dúvidas sejam solucionadas, aponta Mônica, as ações da estatal devem permanecer voláteis e com tendência de queda.

Alexandre Póvoa, diretor de Gestão de Recursos do Banco Modal, acrescenta que ações de outras empresas podem sofrer com a capitalização da Petrobras daqui para a frente.

Se a oferta for do tamanho que se imagina, não haverá dinheiro suficiente no mercado.

Investidores podem vender ações de outras empresas para comprar Petrobras, derrubando preços acrescenta Póvoa.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, garantiram na última semana que a capitalização sai até 30 de setembro, pouco antes do primeiro turno das eleições.

Para Hood, da SLW, a expectativa é que, encerrada capitalização, as ações da Petrobras entrem em processo de recuperação rápida de seus preços, atualmente muito defasados.