Título: Pré-sal: Lula decidirá valor do barri
Autor: Bôas, Bruno Villas
Fonte: O Globo, 23/08/2010, Economia, p. 20

Presidente fará esta semana análise política para manter capitalização da Petrobras

BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está aguardando para esta semana a proposta de preço do barril do petróleo, que será a base da capitalização da Petrobras no dia 30 de setembro. O valor deverá ser apresentado pelo presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que também preside o conselho de administração da companhia. Segundo uma fonte do Palácio, os estudos técnicos estão guardados com os dois a sete chaves e a decisão somente será tomada no gabinete presidencial.

As especulações de mercado apontaram que a sugestão apresentada para o preço do barril pela certificadora a Gaffney, Cline & Associates, contratada pela Agencia Nacional do Petróleo (ANP), foi de US$ 10 a US$ 12. Por outro lado, a consultoria DeGolyer & MacNaughton, contratada pela Petrobras, não passou dos US$ 5 a US$ 6. Elas levaram 45 dias realizando os estudos sobre o preço ideal dos barris, que serão cedidos pela União à Petrobras na capitalização.

O valor final da capitalização dependerá da cessão onerosa, que é um sistema pelo qual o governo federal cederá à Petrobras o direito de explorar até 5 bilhões de barris de petróleo em áreas do présal ainda não concedidas.

A avaliação presidencial do valor final da capitalização passará agora pela perspectiva política, levando em conta, inclusive, a proximidade das eleições.

Mas Lula não estaria disposto a adiar o processo.

Outro aspecto é que, há cerca de 15 dias, segundo um forte interlocutor governamental, Lula não via com bons olhos a avaliação do mercado de que cada barril que a União dará à Petrobrás na capitalização seja cotado entre US$ 5 e US$ 6. Para ele, o valor era baixo, e já teria avisado à Petrobras e aos consultores que só aceitaria um preço maior. A capitalização poderia ficar inviabilizada com um preço do barril mais baixo.

Mercado espera valor entre US$ 7 e US$ 9 e teme ações A opinião também é compartilhada pelo diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, que já deixou claro publicamente, em diversas ocasiões, que o preço de US$ 5 ou US$ 6 por barril seria baixo na certificação.

Segundo interpretações do mercado, a capitalização vai sair independentemente do preço que for fixado. Só não pode haver uma diferença grande entre as avaliações para evitar questionamentos jurídicos.

A aposta é de que fique entre o barril US$ 7 e US$ 9. A equipe econômica defende um valor acima de US$ 10.