Título: A primeira-dama e a condenada
Autor:
Fonte: O Globo, 25/08/2010, O Mundo, p. 32
Carla Bruni, da França, divulga mensagem de apoio à iraniana Sakineh Ashtiani
CARLA BRUNI e Sakineh Ashtiani: ¿A França não abandonará você¿, diz a primeira-dama
PARIS. Um dia antes do que pode se tornar uma data decisiva no caso da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, três personalidades francesas foram a público fazer um apelo pela vida da mulher. Num tom desesperado, a primeira-dama da França, Carla Bruni, publicou uma carta em jornais como o ¿Le Parisien¿ e o ¿Le Figaro¿, reiterando que seu marido, o presidente Nicolas Sarkozy, defenderá a causa da condenada até o fim. Textos do ex-presidente da França Valéry Giscard d¿Estaing e da ex-candidata socialista à Presidência Ségolène Royal também destacavam o apoio do país ao caso da acusada de adultério e de participação na morte do marido. Uma decisão da Justiça iraniana sobre a condenação à morte por apedrejamento de Sakineh pode ser divulgada ainda hoje.
¿Do fundo de sua cela, saiba que meu marido defenderá sua causa sem descanso e que a França não abandonará você¿, escreveu a primeira-dama. ¿Após ser informada sobre a sentença, como poderia me manter em silêncio? O risco real do que está acontecendo com você causará danos profundos a todas as mulheres, crianças, e todos que seguem os sentimentos humanos. E, ainda pior, você não seria a única a se sujeitar a essa terrível execução. Não entendo o que pode ocorrer de bom a partir de uma cerimônia macabra dessas, independentemente da justificativa legal¿, revolta-se Carla Bruni no texto.
Outro ícone feminino na França, a socialista Ségolène Royal demonstrou estar horrorizada com a possibilidade de execução da iraniana. Todas as três cartas foram escritas para Sakineh, num apelo cujo principal objetivo é dar forças à iraniana. ¿Estou pensando muito em você, nos seus filhos, e o meu sangue congela. Tenha coragem e esperança, mais e mais vozes estão se unindo em todo o mundo, e elas serão ouvidas, e vão derrubar as paredes da sua prisão. Te ajudando, nos ajudamos¿, afirma a ex-candidata à Presidência da França.
Já o ex-presidente francês Valéry Giscard d¿Estaing disse em sua carta que o apedrejamento é prejudicial à dignidade do ser humano. ¿A pena proposta ao caso de Sakineh nos joga de volta à idade das trevas da Humanidade. Acredito que a grande cultura persa que contribuiu para a construção de sua civilização mereça muito mais do que isso. Esperemos que as autoridades iranianas percebam isso enquanto ainda há tempo¿, critica o político.
A carta de Carla Bruni reforça o que, na sexta-feira, já fora dito pelo chanceler Bernard Kouchner, afirmando que a França não pouparia ¿nenhum esforço¿ para salvar Sakineh. ¿Derramar seu sangue, privar seus filhos de uma mãe. Mas por quê? Porque você viveu, porque amou, porque é uma mulher, uma iraniana? Eu me nego a aceitar isso¿, completa a primeira-dama.