Título: Rejeição a Obama ultrapassa aprovação
Autor: Eichenberg, Fernando
Fonte: O Globo, 25/08/2010, O Mundo, p. 33
Pela 1ª vez, maioria é contrária ao desempenho do presidente. Líder republicano exige demissão de equipe econômica
OBAMA E Michelle nas férias em Martha's Vineyard: líder em queda
WASHINGTON. As pacatas férias do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na ilha de Martha's Vineyard, foram perturbadas ontem pelos resultados da nova pesquisa de opinião Reuters/Ipsos. Pela primeira vez, a maioria dos entrevistados, 52%, desaprovou o desempenho de Obama na Presidência; apenas 45% lhe deram uma nota positiva ¿ o menor índice registrado até agora (48% no mês passado). Em janeiro de 2009, o índice de aprovação do recém-eleito presidente atingia um confortável percentual de 69%. Desde janeiro deste ano, no entanto, a popularidade do titular da Casa Branca está em queda do simbólico patamar de 50%.
Outros dados da sondagem também deverão servir de reflexão para o presidente durante seus dias de descanso insular. Entre as pessoas ouvidas, 92% manifestaram inquietação com o atual índice de 9,5% de desemprego, e 72% se disseram extremamente preocupadas com o desemprego em geral no país. Outros 67% igualmente expressaram sua extrema preocupação com os atuais gastos do governo ¿ 54% consideram mais importante reduzir o déficit público, e 43% priorizam o corte de impostos para todos os americanos. Na avaliação geral, 62% apontaram que o país está no rumo equivocado.
Em relação às eleições legislativas de 2 de novembro, 46% dos eleitores registrados disseram que votariam no Partido Republicano, e 45% escolheriam candidatos democratas. Entre o total de entrevistados, o partido do governo supera por pouco a oposição: 45% a 43%. O Partido Democrata, no entanto, perdeu 10% da importante vantagem que possuía na pesquisa de fevereiro último. Como consolo ao presidente, sobre o mau funcionamento da política em Washington a pesquisa apontou um maior número de queixas aos republicanos (36%) do que aos democratas (28%). A sondagem Reuters/Ipsos, de margem de erro de 3 pontos percentuais, ouviu 1.063 adultos entre 19 e 22 de agosto.
Em pleno clima de campanha eleitoral, e aproveitando os desfavoráveis índices do governo, o líder da minoria republicana na Câmara, John Boehner (Ohio), exigiu ontem a demissão da equipe econômica de Obama ¿ incluindo o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, e conselheiro da Casa Branca, Larry Summers ¿ pela sua incapacidade de estimular a economia e gerar empregos.
Na ausência de Obama, o vice-presidente Joe Biden se encarregou de responder com ironia às declarações do parlamentar republicano.
¿ Um conselho muito construtivo e agradecemos aos líderes por isso ¿ disse Biden, ao deixar claro que o governo não levaria a sério suas provocações.
Governo se concentra no retorno de soldados
O cientista político Mark Langevin, da Universidade de Maryland, sublinha a tendência histórica americana ¿ e de outros países ¿ de enfraquecimento eleitoral do partido do poder em meio a uma crise econômica com índice de desemprego acima da média.
¿ A questão é saber qual será o tamanho da perda. As pesquisas de opinião fornecem uma reflexão nacional sobre a situação econômica e a performance do presidente, mas haverá disputas regionais específicas. Com o alto índice de desemprego, a tendência é a de que os democratas percam cadeiras, mas é uma realidade bastante dinâmica, vai depender do jogo político em cada Estado ¿ avaliou Langevin.
Pressionado por causa da frágil situação econômica, o presidente também tem sofrido por conta da presença militar no Iraque e da guerra no Afeganistão. Ontem, o governo procurou reforçar o discurso sobre o almejado fim das missões de combate no Iraque, ao anunciar que permaneceram na região menos de 50 mil soldados ¿ mais precisamente 49.700 ¿, número que deverá manter-se inalterado até a metade de 2011. Em 1° de setembro, as autoridades militares pretendem oficializar a transformação das ¿missões de combate¿ em ¿ações de apoio e assistência¿. Pelo que se viu até agora, em tempos de eleição, cada algarismo e índice percentual contará na tentativa de conquistar o voto na urna.