Título: CPI recomenda indiciamento de Roriz e Arruda
Autor: Weber, Demétrio; Souza, André de
Fonte: O Globo, 26/08/2010, O País, p. 21

Além dos dois ex-governadores, mais 20 pessoas e 37 empresas são listadas por corrupção no Distrito Federal

BRASÍLIA. A CPI da Câmara Legislativa que investigou a corrupção no Distrito Federal aprovou ontem relatório final em que recomenda o indiciamento de 22 pessoas, entre elas o ex-governador Joaquim Roriz (PSC), que lidera as pesquisas de intenção de voto para governar novamente o DF, o ex-governador José Roberto Arruda, cassado após o escândalo conhecido como mensalão do DEM, e o ex-vice Paulo Octávio, que chegou a assumir o cargo e renunciou.

O relatório diz que o esquema de corrupção que derrubou Arruda começou em 1999, no terceiro mandato de Roriz como governador, e continuou até 2009. Nesse período, segundo a CPI, os dois ex-governadores foram eleitos com dinheiro desviado dos cofres públicos: Roriz em 2002 e Arruda em 2006. "O governo de José Roberto Arruda saiu das entranhas do governo de Joaquim Domingos Roriz, mais especificamente da podridão administrativa em que esse governo se encontrava", escreveu o relator, deputado distrital Paulo Tadeu (PT).

O texto cita empresas e órgãos públicos acusados de envolvimento com a corrupção, conforme constatado pela Polícia Federal no Inquérito nº 650, que levou o Superior Tribunal de Justiça a decretar a prisão de Arruda no ano passado, quando ainda era governador. De 2000 a 2010, as mesmas empresas teriam recebido R$4,2 bilhões do governo do DF. O coordenador de Comunicação da campanha de Roriz, Paulo Fona, negou qualquer crime e desqualificou o trabalho da CPI:

- É um relatório que não tem valor nem jurídico nem político, porque foi elaborado por um deputado petista, candidato (a deputado federal), que tem como objetivo ganhar manchetes de jornais para utilizá-las no programa eleitoral do PT.

Segundo Fona, o Instituto Candango de Solidariedade, apontado como pivô da corrupção no governo Roriz, começou a fazer contratos com o GDF na gestão petista do então governador e hoje senador pelo PDT Cristovam Buarque. O relatório foi aprovado por quatro dos cinco deputados distritais que faziam parte da CPI (três da base de apoio ao governo Arruda). O deputado Batista das Cooperativas (PRP) foi o único que não compareceu à sessão. O texto final será enviado ao Ministério Público Federal e ao MP-DF.

O relatório lista 17 tipos de crimes, como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e emprego irregular de verbas públicas. E pede a continuação das investigações relativas a 22 pessoas e 37 empresas e entidades. Segundo a CPI, os desvios eram feitos mediante a contratação emergencial com dispensa de licitação, atrasos nos pagamentos e prestação de serviços sem contrato.