Título: Cabral: se eleito, Beltrame continuará
Autor: Vasconcellos, Fábio
Fonte: O Globo, 27/08/2010, O País, p. 22
Por questão de segurança, governador diz não circular pela Rocinha, dando preferência às favelas com UPPs
O governador e candidato à reeleição, Sérgio Cabral (PMDB), admitiu ontem que não pode circular na Favela da Rocinha como faz em outras comunidades por questão de segurança. A declaração foi dada durante sabatina promovida pelo jornal Folha de S.Paulo e portal UOL. Cabral respondia ao fato de ter visto só por fotos as obras de um parque que está sendo construído na Rocinha, em São Conrado, onde no sábado policiais e traficantes trocaram tiros: Com certeza, eu não posso circular na Rocinha como posso circular no Chapéu Mangueira e na Babilônia (onde há Unidades de Polícia Pacificadora). Eu não circulo com a mesma liberdade que circulo no Pavão-Pavãozinho (também com UPP).
Ele não quis polemizar com o adversário, Fernando Gabeira (PV), que afirmou que o estado permite a conivência com traficantes na Rocinha.
Tem certas coisas que quando colocadas tenho que contar até três. Prefiro não responder (...). O que aconteceu lá (Rocinha) já não acontece em outras comunidades, onde não tem chefe do tráfico. Garanto que termino o meu governo (referindose ao segundo) com todas as favelas pacificadas.
Ainda na área da segurança, Cabral afirmou que, caso seja reeleito, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, será mantido. Outro que está garantido é o atual chefe da Casa Civil, Régis Fichtner. O candidato do PMDB acrescentou que não há aumento da criminalidade no interior do estado por causa da instalação de UPPs na capital.
Ele, porém, admitiu que serão construídas UPPs em cidades que já havia traficantes.
Na educação, Cabral voltou a justificar o baixo desempenho do Rio no Ideb à política de aprovação automática adotada pelo ex-prefeito Cesar Maia.
Qual a capital brasileira que teve a aprovação automática na dimensão do Rio? (...) Aqui, durante 12 anos, sobretudo nos últimos oito anos da gestão anterior ao Eduardo Paes, houve algo absolutamente nefasto.
Após a eleição, Cabral prometeu dar aos professores os laptops que foram cedidos pela Secretaria de Educação e criar metas para educação: Puxamos o freio do caminhão que ia ladeira abaixo. Vamos subir (no Ideb).
Ele disse que perdoou o estudante Leandro dos Santos, chamado de otário pelo candidato, conforme vídeo que circula na internet.
Ele é que deve desculpas pela abordagem. Eu o perdoo porque ele acabou sendo manipulado por grupos políticos (...).
Falei numa conjuntura. Falei sem nenhum tom de agressão.