Título: Marina: Campanha é prenúncio do que se fará no poder
Autor: Freire, Flávio; Talento, Biaggio
Fonte: O Globo, 27/08/2010, O País, p. 9
Verde chama de baixaria vazamento de dados fiscais e alerta sobre "quem não respeita a legislação antes de ganhar"
Especial para O GLOBO
CURITIBA. A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, chamou de baixaria o vazamento de dados fiscais de pessoas ligadas ao candidato do PSDB, José Serra, incluindo o do vice-presidente do partido, Eduardo Jorge: Não se pode utilizar meios ilícitos para se conseguir informação de quem quer que seja. Eu coloquei que não iríamos usar de baixaria com ninguém, não iríamos fazer ataques pessoais e que não iríamos usar qualquer tipo de informação por meios ilícitos para tisnar a honra de quem quer que seja disse.
A senadora, que inaugurou ontem mais uma Casa de Marina (comitê de campanha domiciliar) numa favela em Curitiba, disse que a atitude demonstra como pode ser o comportamento da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, se ela chegar ao poder: Uma campanha já é um prenúncio daquilo que se fará quando se chegar ao poder, e quem não respeita a legislação, as instituições antes de ganhar, que garantia teremos de que respeitará depois que chegar lá? indagou.
Para candidata, campanha ainda está no primeiro tempo Marina também criticou o clima antecipado de vitória de Dilma e disse acreditar ser possível chegar ao segundo turno. De acordo com pesquisa Datafolha publicada ontem pela Folha de S.Paulo, a verde está na terceira colocação, com 9% das intenções de voto: Segundo o Datafolha, eu continuo estabilizada, mas a sociedade brasileira está desestabilizando aqueles que achavam que iam fazer plebiscito.
Se a gente pode pensar duas vezes antes de entregar a Presidência da República, temos que pensar duas vezes.
A senadora escolheu a favela da Vila Torres, em Curitiba, para inaugurar mais um comitê caseiro. Ela caminhou pelas ruas e fez corpo a corpo com os eleitores. Valendo-se de uma metáfora do futebol, disse acreditar que ainda há muita disputa pela frente: Não dá para ficar no clima do ganhou-perdeu. Estamos apenas nos 12 minutos do primeiro tempo. Ainda tem muita bola para rolar neste jogo.
Marina também afirmou acreditar que pode mudar o cenário eleitoral e chegar ao segundo turno. Ela relembrou a época em que era candidata ao Senado: Até o último momento, as pesquisas me colocavam em quarto lugar e fui eleita.
Em encontro com militantes do PV em Curitiba, ela questionou a capacidade de Dilma como governante: Conhecemos o presidente Lula, conhecíamos o Fernando Henrique, o Serra, embora discorde dele. O povo pode até discordar de mim, mas me conhece bem, estou há 16 anos na política.
Nós conhecemos a Dilma como ministra de Minas e Energia, mas daí a ser presidente da República... disse Marina sem encerrar o raciocínio.