Título: Especialistas: reforma é inevitável
Autor: Doca, Geralda
Fonte: O Globo, 30/08/2010, O País, p. 3
BRASÍLIA. A sinalização de um novo regime de aposentadoria, ainda que seja só para os novos trabalhadores, caso o PT conquiste um novo mandato no Planalto nas eleições de outubro, é um passo importante para aumentar a confiança dos investidores na economia brasileira. Para especialistas em questões previdenciárias, seria uma demonstração de que o problema fiscal, o elevado gasto com benefícios no Brasil um país ainda jovem tem data para acabar.
Do ponto de vista político, defendem ainda, é mais viável não misturar situações distintas numa mesma proposta: criar regras de transição para os atuais trabalhadores; e regras permanentes que vão entrar em vigor em quarenta anos para os novos.
Um modelo só para os novos melhora muito. Acho que é o mínimo e já tinham que ter feito afirmou José Cechin, ex-ministro da Previdência.
Ele considera factível a fórmula do somatório de 105 anos (65 anos de idade e mais 40 de contribuição), pois só entraria em vigor 40 anos depois de aprovada, quando a expectativa de vida do brasileiro será maior.
É melhor do que não fazer nada. Uma reforma só para os novos reduz o custo político de se aprovar uma mudança mais ampla, e passa um sinal de que o governo está preocupado com as contas públicas ao longo prazo emendou Marcelo Caetano, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Caetano, que participou das duas últimas reformas previdenciárias (do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1999, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003), como técnico na Ministério da Previdência, chama a atenção para a despesa do governo com os dois regimes (INSS e setor público).
Um terço de toda arrecadação tributária brasileira, frisou, é usada só para pagar aposentadorias e pensões.
Caso essa situação persista, só há um jeito, que é aumentar a carga tributária e mesmo assim, isso tem limite destacou Caetano.
Segundo ele, a situação tende a se agravar diante das mudanças no perfil demográfico e dos reajustes do salário mínimo e benefícios acima da inflação.