Título: PIB: Mantega prevê alta de 0,5% a 1%
Autor: DErcole, Ronaldo; Rodrigues, Lino
Fonte: O Globo, 31/08/2010, Economia, p. 24
Apesar da desaceleração no 2o- trimestre, expansão chegaria a 7% no ano
SÃO PAULO. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) do segundo trimestre, que será divulgado sexta-feira pelo IBGE, deverá apresentar expansão de 0,5% a 1% sobre o trimestre anterior. Apesar da desaceleração nos primeiros três meses do ano, o PIB cresceu 2,7% sobre o último trimestre de 2009, e 9% ante o primeiro trimestre , a economia fechará 2010 com alta de cerca de 7%.
No 7oFórum de Economia, da Fundação Getulio Vargas, Mantega creditou a solidez à nova estratégia do governo, o neodesenvolvimentismo: Esse modelo permitiu que o país superasse a crise com sucesso, e melhorou muito a vida dos brasileiros.
Para o ministro, o Brasil está hoje entre as economias mais dinâmicas. Mais do que estar crescendo a uma taxa de 7%, a maior dos últimos 24 anos, ele destacou a qualidade dessa expansão com alta nos investimentos, no consumo das famílias e no nível de emprego.
Alcançamos um outro patamar de crescimento, de qualidade.
E sustentável, porque se dá com inflação controlada disse, prevendo alta de 5% a 5,5% para a inflação oficial em 2010.
Mantega chamou de pessimistas as projeções dos analistas para o crescimento do PIB em 2011, da ordem de 4,5%, e projetou alta de 5,5%. Mesmo reconhecendo que a continuidade do atual modelo impõe desafios ao novo governo, afirmou ser possível o país crescer a taxas médias de 5,8% ao ano até 2014.
Ouso dizer que estamos iniciando o Estado de bem-estar social no Brasil afirmou.
Para ministro, país criará 2 milhões de vagas este ano Mantega listou os desafios do novo governo para que o país não perca o passo do crescimento sustentável: manutenção de investimentos elevado e modernizar a estrutura financeira, para que a iniciativa privada ter crédito de longo prazo: Não dá para manter o Tesouro transferindo recursos para o BNDES por muito tempo.
Mantega disse que medidas como a criação de classes de debêntures, com taxação diferenciada, e o aperfeiçoamento das regras para os Certificados de Recebíveis Imobiliários, devem ser anunciadas este ano.
À noite, em evento do jornal Valor Econômico, que premiou as 25 empresas mais eficientes do Brasil, Mantega indicou que não continuará à frente da Fazenda no próximo governo: Este ano as empresas estão melhores do que em 2009, mas não sei se estarei aqui no ano que vem para comemorar com elas.
O ministro disse que o crescimento ajudou a incluir 40 milhões de brasileiros ao mercado de consumo. Segundo ele, a classe C tem R$ 500 bilhões de poder aquisitivo em 2010.
Estamos entrando na rota do bem-estar social. Em termos relativos, estamos gerando mais empregos que a China. Este ano vamos gerar 2 milhões.