Título: México expulsa 3.200 policiais por corrupçao
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Fonte: O Globo, 31/08/2010, O Mundo, p. 27
Oposição aumenta críticas ao presidente Felipe Calderón. Família mineira aguarda notícias sobre identificação de corpo
FAMILIARES DE desaparecidos na guerra do tráfico protestam em Monterrey: 3 mil pessoas sumiram somente nos últimos 3 anos, segundo ONGs
CIDADE DO MÉXICO. Sob uma enxurrada de críticas do opositor Partido Revolucionário Institucional (PRI) pela renovada onda de violência no norte do país, o governo do México anunciou ontem uma limpeza nas forças de segurança ¿ onde crescem as suspeitas de corrupção, facilitando a ação do narcotráfico. Pelo menos 3.200 policiais federais ¿ cerca de 9% do efetivo ¿ foram afastados da corporação. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, os exonerados não teriam cumprido deveres previstos por lei ¿ como exames de controle de confiança.
Em entrevista ao jornal ¿El Universal¿, o comissário-geral da Polícia Federal, Facundo Rosas, afirmou que a exoneração é a primeira etapa de um plano de depuração das forças de segurança. Outros 1.020 policiais estão na mira da secretaria por não terem passado nos exames e outros 465 enfrentam processo diante de um conselho da PF por violação de obrigações.
¿ Isso é parte do compromisso de consolidar uma Polícia Federal que torne reais princípios constitucionais de legalidade, honradez, eficiência, profissionalismo e respeito aos direitos humanos ¿ afirmou Rosas.
Ontem, o líder do opositor PRI na Câmara, Francisco Rojas, criticou duramente o presidente Felipe Calderón, a quem acusa de governar com ¿campanhas midiáticas em vez de resolver os problemas do país¿.
¿ Aprovamos 25 projetos de lei sobre o tema da segurança pública. Aprovamos até o último centavo de suas demandas para um sistema de segurança que não satisfaz ninguém ¿ atacou.
Tentando evitar o confronto político, Calderón limitou-se a condenar o assassinato de Marco Antonio Leal García, prefeito de Hidalgo, no estado de Tamaulipas, emboscado por homens armados na noite de domingo ¿ num ataque que, segundo a polícia, foi deflagrado por traficantes e policiais corruptos.
¿Esse crime covarde e os últimos acontecimentos repudiáveis reforçam o compromisso de continuar combatendo com todos os recursos os grupos criminosos que tentam aterrorizar famílias tamaulipecas¿, disse o presidente, num comunicado.
Ontem, o terror chegou ao estado de Veracruz. Desde as 22h de sábado, traficantes trocaram tiros com o Exército mexicano num confronto que se arrastou por mais de 12 horas na cidade de Pánuco. Segundo o governador de Veracruz, Fidel Herrera, o tiroteio atingiu vários transformadores de energia, o que fez com que parte da cidade ficasse às escuras. Pelo menos seis bandidos, um militar e um civil, morreram no confronto. Outras cinco pessoas foram feridas.
À tarde, o único sobrevivente da chacina de San Fernando, o equatoriano Luis Freddy Lala Pomavilla, de 18 anos, foi repatriado sob forte esquema de segurança. Ainda sob cuidados médicos, ele desembarcou em Quito em avião da Presidência.
¿ Ele corre riscos gravíssimos e, por isso, pedimos que não o procurem ¿ pediu à imprensa local o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño.
Corpo do mineiro Hermínio ainda sem identificação
Enquanto em Tamaulipas avança lentamente o trabalho de identificação das vítimas da matança, na cidade mineira de Sardoá, na região do Vale do Rio Doce, parentes do jovem Hermínio Cardoso dos Santos, de 24 anos, ainda guardavam uma ponta de esperança de que ele tenha sobrevivido. Seu passaporte fora encontrado no local do crime, mas até ontem, não havia sinal do corpo.
¿ A espera é horrível. Não tem corpo, então temos que esperar. Quem sabe não é ele? Meus pais estão muito chocados. Era um menino muito bom, disse que ia chegar (nos EUA) e trabalhar para pagar as contas. Nós ajudamos com o dinheiro da viagem ¿ contou ao GLOBO Rose, uma das irmãs do jovem.
Num editorial, o jornal ¿New York Times¿ condenou ontem a chacina de San Fernando, lembrando que os cartéis são alimentados pelo vício e pelas armas americanas ¿ além da demanda por mão-de-obra barata que alimentam o sonho dos imigrantes ilegais de chegar aos Estados Unidos.
¿Nós entregamos aos chefões da droga a tarefa de controlar nosso estoque de imigrantes, assim como controlam nosso estoque de narcóticos. Os resultados são claros¿, diz o texto.