Título: Preso o homem que vendia dados sigilosos
Autor: Rodrigues, Lino
Fonte: O Globo, 01/09/2010, Economia, p. 29

Polícia vai analisar CDs para apurar origem do vazamento de informações

ALESSANDRO NEVES chega à delegacia paulistana algemado

SÃO PAULO. A Delegacia Antipirataria do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) de São Paulo prendeu ontem Alessandro Neves Moraes, suspeito de vender informações sigilosas na região central da cidade. Nos seis CDs adquiridos por um policial disfarçado de comprador, foram encontrados dados do Registro Geral (RG), CPF, endereços, telefones e informações de contribuintes do Imposto de Renda (IR), como o valor a ser restituído. As informações são semelhantes às compradas na Rua Santa Efigênia pelo GLOBO. Os CDs que deram origem às reportagens, publicadas na semana passada, foram entregues ao Ministério Público paulista.

Segundo polícia, dados saíram de órgãos públicos

Segundo a polícia, tudo indica que as listagens com dados sigilosos foram extraídas do banco de dados de órgãos públicos, mas só depois de concluída a investigação será possível identificar a origem do vazamento.

¿ Junto com os CDs veio um manualzinho para se conseguir abrir o programa e uma senha. Através dessa senha, vamos tentar saber de qual órgão público saíram os dados. Muitas vezes, um funcionário é quem faz a cópia ¿ disse o delegado Antônio Lambert, titular da Delegacia Antipirataria.

Moraes, de 31 anos, foi preso em flagrante no momento em que fazia a entrega dos CDs ao policial disfarçado. Ele é suspeito de ser um dos que produzem os CDs e, depois, distribui os discos aos vendedores. Para evitar surpresas, ele exigia dos compradores indicação de outros vendedores para concretizar a venda na própria Rua Santa Efigênia. O delegado Lambert disse que os policiais estavam monitorando a movimentação dos camelôs há mais de dois meses.

¿ Infiltramos um policial para ganhar a confiança dos vendedores e saber quem são os verdadeiros produtores dos CDs e como funciona o esquema ¿ contou o delegado, que se surpreendeu ao saber que os seus dados também estavam nos CDs aprendidos.

Segundo a polícia paulista, Moraes seria um especialista na produção ilegal de mídias contendo informações sigilosas e, se condenado por crime contra a inviolabilidade dos segredos, poderá pegar de um a quatro anos de prisão. Ele poderá pagar uma fiança de R$6 mil e responder o processo em liberdade.