Título: Na educação, reivindicações para os candidatos
Autor: Weber, Demétrio
Fonte: O Globo, 01/09/2010, O País, p. 18
Carta-compromisso lançada por entidades do setor reivindica que investimentos cheguem a 10% do PIB
BRASÍLIA. Entidades ligadas à educação querem que o Brasil dobre os investimentos no setor, destinando 10% do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas pelo país) para melhorar a qualidade do ensino público. A reivindicação faz parte de uma carta-compromisso lançada ontem e destinada a todos os candidatos nas eleições de outubro.
A ideia é transformar a educação numa agenda suprapartidária, indicando o caminho para os próximos anos. O público-alvo são os candidatos a deputado, senador, governador e presidente da República. Nas próximas semanas, deverão ser organizados atos de adesão dos políticos à carta-compromisso.
A maior contribuição que a carta vai dar é ser uma agenda para os próximos governos, sejam quais forem diz o presidenteexecutivo do movimento Todos pela Educação, Mozart Neves Ramos.
O documento teve origem no Todos pela Educação, movimento que reúne empresários, acadêmicos e gestores. E recebeu o apoio de 27 entidades como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Unesco, o Unicef, o Conselho Nacional de Educação, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a União Nacional dos Estudantes (UNE).
A carta-compromisso lista sete metas e cobra quatro compromissos dos candidatos. O primeiro é a ampliação dos investimentos no ensino público. Ho-je, o país destina cerca de 5% do PIB o último dado calculado pelo Ministério da Educação, referente a 2008, indica 4,7%.
As entidades propõem alcançar 10%, sendo 8% para o ensino básico e 2% para o superior.
O texto diz que é imprescindível elevar os gastos progressivamente até 2014, mas não deixa claro se esse é o prazo para que se chegue aos 10%. Segundo Mozart, isso teria que ocorrer antes de 2022, já que as metas miram o ano de 2022, quando será celebrado o bicentenário da Independência.
O presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau, que é também presidente do Conselho de Governança do Todos pela Educação, disse que a melhoria do ensino é o caminho para o Brasil acabar com a exclusão social e atingir um nível de competitividade mundial. Para ele, é preciso gastar mais e melhor.