Título: Base impede convocação de ministro
Autor: Suwwan, Leila
Fonte: O Globo, 02/09/2010, O País, p. 12

Na CCJ do Senado, senadores governistas derrubam requerimento da oposição

BRASÍLIA. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado rejeitou ontem, por 11 votos a 9, a convocação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para explicar a quebra de sigilo de dados fiscais de tucanos na Receita Federal. O clima esquentou durante a sessão, depois que o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), autor do requerimento para ouvir Mantega, disse que o governo usa espionagem para intimidar adversários.

Os governistas tentaram transformar o requerimento de convocação (que obrigaria Mantega a comparecer) em um convite, que poderia ser recusado ou protelado. Mas a oposição não aceitou e foi derrotada.

- Bisbilhotar a vida privada da filha do candidato é uma luta a qualquer custo para chegar ao poder. Quem comete crime para chegar ao poder crime cometerá para nele permanecer. Há marginais da política habitando os subterrâneos do governo - acusou o senador tucano.

Segundo Dias, a versão do governo, de que teria sido montado um balcão de negócios com a venda de dados fiscais na Superintendência da Receita em Mauá (SP), é "ingênua." O senador disse que o governo não tem "autoridade moral" para prometer investigação sobre o caso.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), reagiu. Disse que Lula tomou as providências necessárias ao determinar uma investigação. Ele negou que a Receita esteja violando dados:

- O sistema da Receita é seguro. Não foi violado. Foi acessado com uma senha do próprio sistema. Os servidores serão responsabilizados civil e criminalmente. Não há nada que o governo queira esconder - disse.

Jucá chamou a tentativa da oposição de convocar Mantega de "desespero generalizado":

- Não há bisbilhotice do governo. Não há ação de quebrar o sigilo de ninguém. A convocação (de Mantega) é uma apelação, uma tentativa de achar um bode expiatório.