Título: Dilma diz que é vítima de leviandade
Autor: Suwwan, Leila
Fonte: O Globo, 02/09/2010, O País, p. 12
Petista afirma que tucanos a acusam sem provas e pede à PF que apure o vazamento de dados fiscais antes da eleição
SÃO PAULO. A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, acusou ontem seu adversário, José Serra (PSDB), de usar "calúnias" e "leviandades" para influir no rumo da disputa presidencial e negou envolvimento do PT e de sua campanha na violação fraudulenta do sigilo fiscal de Verônica Serra, filha do tucano. A candidata também pediu uma apuração rigorosa da Polícia Federal, antes das eleições.
Demonstrando tensão e aparentando indignação, Dilma foi perguntada sobre o caso em entrevista ao vivo, ontem à noite, no "Jornal SBT Brasil". Antes, acompanhou trecho de cerca de quatro minutos do noticiário do dia sobre o tema. Ela se apresentou como vítima do caso:
- Você sabe que é maior interessada na apuração é minha campanha, a maior interessada sou eu. Quero mais uma vez, de forma enfática, repudiar essa prática sistemática que está acontecendo nas eleições, de fazer essas acusações e não apresentar prova, usar calúnia ou leviandade para qualquer vantagem eleitoral.
"Sou a maior interessada na apuração", diz petista
A candidata afirmou que os indícios de que há um "balcão de compra e venda" de dados sigilosos da Receita Federal devem ser apurados:
- Se tem algum tipo de mercantilização, como diz o secretário da Receita, um balcão de compra e venda, acho que tem que ser apurado drasticamente, antes da eleição. Estou sendo acusada sistematicamente, de forma leviana.
Dilma admitiu que Serra "pode ficar indignado com o fato", mas insistiu que ela é a "maior interessada na apuração". Além disso, avisou que já entrou com "várias ações" contra a coligação de Serra:
- Não entendo as razões, algumas eu entendo, que levam o candidato da oposição a levar contra a minha campanha uma acusação tão leviana, uma acusação que não tem provas nem fundamentos - disse Dilma, frisando que não era pré-candidata em setembro de 2009, quando houve a violação dos dados de Verônica. - Julgo muito importante que, nesta eleição, tenhamos cuidado com leviandades e calúnias.
Ao ser perguntada sobre a a suspeita contra o PT, devido ao envolvimento do partido em outros episódios, como o escândalo dos aloprados, Dilma reagiu como fizera na véspera, em entrevista ao "Jornal da Globo", da TV Globo: acusou o PSDB de também se envolver em vazamentos de dados sigilosos.
Dilma acusa senador tucano de vazar dados sigilosos
Apesar de dizer que acha "inadequado", insinuou que seus adversários também poderiam ser acusados de "vazadores contumazes" ou "pessoas que não têm ética para lidar com coisa pública".
Ela citou um caso de 1996, quando surgiu no Congresso a chamada "lista do BB", com informações bancárias e dívidas de deputados do PPB, às vésperas de uma reunião que decidiria o apoio do partido à emenda de reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Depois acusou o senador tucano Álvaro Dias (PR) de ter vazado dados sigilosos da Petrobras.
- Em junho de 2009, para fazer a CPI da Petrobras, vai um senador que apareceu protestando. O senador vazou, divulgou um vazamento saído de um jornal, de dados absolutamente sigilosos da direção da Petrobras - disse ela, referindo-se a Dias.
No início da entrevista, Dilma defendeu, sem citar o nome do deputado cassado José Dirceu (PT-SP), o "resgate dos inocentes". Perguntada se incluiria em sua eventual equipe alguém envolvido no escândalo do mensalão, respondeu:
- Antes de julgar, não - e emendou: - Agora, uma pessoa inocentada pode, perfeitamente. O Brasil deve reconhecer isso, o direito do inocente de ser resgatado.