Título: Atletas top terão bolsa de R$15 mil
Autor: Magalhães, Luiz Ernesto; Lima, Ludmilla de
Fonte: O Globo, 04/09/2010, Rio, p. 17
Beneficiados por programa federal ainda poderão negociar patrocínios
A menos de seis anos dos Jogos Olímpicos, o Ministério do Esporte tenta criar uma política nacional de apoio aos atletas para conseguir bons resultados já em 2016. De acordo com Marco Aurelio Klein, diretor da Secretaria de Alto Rendimento do ministério, uma das prioridades é a ampliação do projeto Bolsa Atleta e a possibilidade de que os beneficiados mantenham patrocínios, o que não acontece atualmente.
Serão criadas duas novas modalidades de bolsas. Uma delas será destinada aos atletas de alto rendimento e a outra, com valor ainda indefinido, para jovens entre 12 e 17 anos. Ele acredita que o número de atual de 2.954 atletas beneficiados crescerá 50% em 2011.
- Os esportistas serão estimulados a se profissionalizar. Não vão receber apenas uma bolsa de subsistência; vão poder negociar também seus patrocínios paralelos - afirmou Klein durante o fórum. - Acredito que 80 atletas de altíssimo nível, que estão entre os 20 melhores de suas categorias e que têm condições de ganhar medalhas, se enquadrarão nessa bolsa, que estamos chamando de Bolsa Atleta Pódio. Serão R$15 mil, o que vai possibilitar não apenas que eles se sustentem, mas também que possam custear outros gastos, como treinador, nutricionista e fisioterapeuta.
O diretor da Secretaria de Alto Rendimento afirma que os bolsistas passarão por testes antidoping, o que não acontece atualmente. O órgão responsável pelo exame dos atletas será a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), em processo de criação. Klein disse que o país deverá investir para aumentar as modalidades com chances de medalhas. A afirmação foi reforçada pelo discurso do superintendente executivo do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Marcus Vinícius Freire, que, durante o fórum, reforçou a necessidade de o Brasil ter sucesso além dos esportes nos quais tradicionalmente tem bom desempenho.
- O Brasil tem sucesso frequente em oito modalidades, como o vôlei, o iatismo e o futebol. Precisamos ir bem em mais oito, nove ou dez modalidades que tragam medalhas - afirmou Marcus Vinícius, que já participou de Olimpíadas como atleta da seleção brasileira de vôlei e chefe de delegação.
A forma encontrada pela parceria entre o ministério e o COB para expandir a prática esportiva no país é a criação de polos esportivos. De acordo com Klein, áreas com vocação esportiva serão incentivadas a criar centros de treinamento. O modelo é o Centro Excelência de Ginástica, de Curitiba (PR).
- Foz do Iguaçu pode receber um centro para os atletas de canoagem. No Nordeste, podemos fazer centros de excelência de boxe - explicou Klein.
Indagado se os esforços para o desenvolvimento de atletas não é tardio, Klein admitiu que os investimentos já poderiam ter sido realizados. Mas usou o exemplo australiano para mostrar que o Brasil tem tempo de formar talentos:
- Estive na Austrália e fiquei impressionado. É um modelo a ser seguido. Começaram o processo de investimento em esportes em 1991, mas foi em 1996, quatro anos antes dos Jogos de Sydney, que a ação foi intensificada. Nós poderíamos ter começado antes? Poderíamos. Mas é melhor começarmos agora do que esperarmos para começar mais adiante.