Título: Abastecimento para todos ainda longe
Autor: Lins, Letícia
Fonte: O Globo, 05/09/2010, O País, p. 16

RECIFE. Detentor da segunda maior reserva de água doce do planeta, o Brasil tem um desafio até 2015: cumprir a meta do milênio que prevê a universalização do abastecimento público de água tratada. Coordenadora da Rede das Águas, da SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro não crê que o país atinja a meta: Faltam investimentos para universalizar a água, a coleta de esgoto e o lixo, que não podem ser tratados separadamente.

Então, alguns estados até podem conseguir, como São Paulo, mas outros estão longe da universalização.

Ainda mais se pensarmos nas áreas rurais.

Nas áreas rurais de Pernambuco, onde o abastecimento de água nem é contabilizado, os prefeitos dos municípios que vão ser atravessados pelas adutoras da transposição do Rio São Francisco temem que a água passe direto sem beneficiar pequenas comunidades da caatinga. Segundo José Aldo dos Santos, um dos coordenadores nacionais da Articulação do Semiárido (ASA), que dissemina o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), essa é uma questão histórica.

As adutoras passam, levam água, mas não distribuem democraticamente.

Descentralizam o uso do espaço público, mas centralizam o uso da água afirma.

De acordo com a especialista Malu Ribeiro, ainda que o problema seja grave na Região Nordeste, os piores índices de desabastecimento estão nas regiões Sul e Sudeste: As reservas de água são menores no Sul (7%) e no Sudeste (6%), mas esses são os lugares com maior concentração de pessoas, de indústrias e de poluição. Então, a situação é crítica nessas regiões, mais até do que no semiárido. (Carolina Benevides)