Título: Mercado eleva aposta de crescimento em 2010
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Fonte: O Globo, 07/09/2010, Economia, p. 22

Percentual subiu de 7,09% para 7,34% na Pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central

BRASÍLIA. Com a divulgação de que o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) cresceu 1,2% no segundo trimestre, surpreendendo a maior parte do mercado, os economistas já começaram e rever para cima suas projeções de expansão para este ano. De acordo com a pesquisa semanal Focus do Banco Central (BC), publicada ontem, os economistas agora enxergam que o crescimento econômico do país ficará em 7,34% em 2010. No levantamento anterior, as estimativas estavam em 7,09%.

Os números devem crescer ainda mais, porque a divulgação do IBGE foi feita na sexta-feira e muitos analistas ainda não atualizaram suas contas por causa do feriado prolongado. Ou seja, a expectativa é de que na próxima pesquisa, os números apontem uma projeção ainda maior para o crescimento da economia brasileira este ano. Para 2011, mostrou também o Focus, as projeções permaneceram em 4,50% de expansão do PIB.

Com a atividade econômica mais aquecida, o mercado parou de reduzir as estimativas sobre o IPCA neste ano, mantendo-a agora em 5,07%. Há um mês, elas estavam em 5,19%. Para 2011, o mercado também diminuiu as contas, de 4,87% para 4,85%, mas quando projeta a inflação para os próximos 12 meses, pela segunda semana, os analistas subiram suas projeções. Agora, a previsão para o IPCA está em 5,03%. O centro da meta do governo para a inflação em 2010 e 2011 é 4,5%. O índice pode variar dois pontos para cima ou para baixo.

Parte do mercado não concordou com a decisão do BC de parar de subir a Taxa Selic (juro básico) na semana passada, a taxa básica de juros foi mantida em 10,75% ao ano. Desde abril, a autoridade monetária havia puxado a taxa em dois pontos percentuais.

Selic deve ser mantida no patamar de 10,75%

As avaliações ganharam força na sexta-feira, com a divulgação do PIB do segundo trimestre. O BC tem argumentado, sobretudo, que a economia mundial tem desacelerado mais ainda e, por isso, retira parte da pressão inflacionária.

Diante desses sinais da autoridade monetária, os especialistas mantiveram suas projeções de que a Selic ficará em 10,75% até o fim do ano. Para 2011, a estimativa é de que encerrará o período em 11,50%.