Título: Um Brasil velho no Novo Mercado
Autor: Lins, Letícia; Alencar, Emanuel
Fonte: O Globo, 10/09/2010, Economia, p. 32
Propostas de mais transparência em empresas são rejeitadas
SÃO PAULO. A BM&F Bovespa perdeu a queda de braço com o mercado e viu rejeitadas suas principais propostas para reformar a governança corporativa das empresas com ações negociadas no Novo Mercado e nos Níveis 1 e 2 da Bolsa. Com 60 votos contra e apenas 30 a favor, foi derrubada a proposta de tornar obrigatório o lançamento de Oferta Pública de Aquisição de Ações (OPA) quando um acionista alcançar participação de 30% do capital. Hoje, 40 das 106 empresas do Novo Mercado não têm um controlador majoritário. Também foram rejeitadas a criação de um comitê de auditoria e a ampliação do número de conselheiros independentes no Conselho de Administração.
Apesar de dizer que o saldo foi positivo, o presidente do Conselho de Administração da BM&F Bovespa, Arminio Fraga, não escondeu ontem sua frustração com o resultado.
A evolução de mentalidade não acontece da noite para o dia. Ainda senti no ar um pouco de Brasil velho afirmou ele sobre a oposição das empresas a propostas de maior transparência.
As coisas têm o seu tempo. Infelizmente, o resultado não foi surpreendente.
A votação das propostas, discutidas desde meados de 2008, terminou na quarta-feira. A assessoria da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) disse não ter encontrado porta-voz para comentar o resultado.
Foram aprovadas a retirada de cláusulas pétreas que amarrem os resultados das assembleias de acionistas, a proibição de acumular os cargos de presidente-executivo e presidente do Conselho e a elaboração de um código de conduta. As propostas devem entrar em vigor até o fim do ano, e as empresas terão até seis meses para adaptação.