Título: Mantega diz que pode adotar este mês medidas para evitar queda do dólar
Autor: Lins, Letícia; Alencar, Emanuel
Fonte: O Globo, 10/09/2010, Economia, p. 32

Ministro reclama de especulação e avisa: "Não vamos deixar o real derreter"

RECIFE e RIO. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que, até o fim desse mês, o governo poderá adotar medidas para evitar a desvalorização do dólar frente ao real. Segundo ele, a moeda vem sendo pressionada pelo grande volume de empréstimos que têm sido contraídos no exterior e pela operação de capitalização da Petrobras. Ontem, o dólar teve o sétimo dia seguido de desvalorização e recuou 0,12%, para R$ 1,723. É a maior série de baixas desde o início de junho de 2009 e o valor mais baixo desde 4 de janeiro.

Não permitiremos que ocorra valorização da moeda brasileira. Os senhores sabem que não é fácil contê-la por vários motivos, entre os quais a própria solidez que o país hoje apresenta. Mas também existe muito ingresso de capital externo e muita especulação em relação à nossa moeda disse Mantega, em evento em Recife.

Segundo ele, a expectativa é que o dólar suba em dezembro.

Então, queria mandar um recado. Nós não vamos deixar o real derreter (sic) e vamos tomar as medidas necessárias para impedir a valorização indevida ou excessiva. É claro que, quando passar a capitalização da Petrobras, as coisas vão se acalmar, porque a partir daí entrarão menos capitais no país. E aí talvez o mercado olhe mais para o déficit nas transações correntes, que deveriam levar a uma desvalorização do real e não a uma valorização. Portanto, a expectativa é que a partir de dezembro haja desvalorização do real para se adequar a essa situação das contas externas.

Ao dizer que não deixaria o real derreter, o ministro, na verdade, se referia ao dólar, já que o real está mais forte.

Bovespa avança 0,33%, mas Petrobras torna a cair Ontem, o Banco Central (BC) fez dois leilões de compra de dólares no mercado à vista. De acordo com estimativas do mercado, a autoridade monetária retirou de US$ 550 milhões a US$ 600 milhões de circulação.

Os analistas esperam que ingressem no mercado brasileiro de US$ 20 bilhões a US$ 30 bilhões de investidores estrangeiros interessados em participar da oferta da Petrobras.

As ações ordinárias (ON) da estatal caíram ontem 1,91%, a terceira maior queda do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo. Já as ações preferenciais (PN) caíram 0,82%.

Mas o bom desempenho de papéis ligados à construção civil segurou o índice, que fechou em alta de 0,33%, aos 66.624 pontos.

A divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que estimou redução dos riscos de alta da inflação, puxou o resultado.

Segundo analistas, as ações da Petrobras estão caindo porque, para ter prioridade na oferta da estatal, era preciso ter papéis em custódia hoje. Ou seja, um retrato do mercado feito pela BM&F Bovespa na última segundafeira. Desde terça-feira, os donos já podiam se desfazer dos papéis, sem perda na oferta.

O mercado vai operar volátil até amanhã (hoje), já que a agenda é fraca de indicadores econômicos diz Edgard Tamaki, estrategista da TCX Consultoria.