Título: Roupa nova nos aeroportos
Autor: Doca, Geralda
Fonte: O Globo, 11/09/2010, Economia, p. 31

Infraero vai licitar áreas para hotéis e garagens nos principais terminais do país

Na tentativa de melhorar os serviços nos aeroportos, a Infraero vai conceder ao setor privado novas áreas nos principais terminais do país. O foco da empresa será a construção de hotéis e edifícios-garagem que poderão ser explorados por prazos de até 25 anos. Neste último caso, disse uma fonte, há uma forte demanda e a estatal não consegue atendê-la. Na próxima quarta-feira, será aberta uma licitação internacional inédita para construir um empreendimento hoteleiro no aeroporto de Brasília.

No dia 23 de setembro, será aberta outra licitação internacional para construir mais um hotel no Tom Jobim (Galeão). O terceiro hotel, ainda em fase de estudo, deverá ser no Santos Dumont, num espaço nobre, em frente à Marina da Glória, que pertencia à antiga Varig e está ocioso. Também será erguido no local um edifício-garagem.

Os hotéis em Brasília e no Galeão têm previsão de investimento de R$13,575 milhões cada um. O valor mínimo de aluguel mensal para a Infraero é de R$19 mil, no caso de Brasília, e de cerca de R$22 mil no caso do Galeão. Estes são valores fixos, mas poderão ser estabelecidos também variáveis, de acordo com o lucro.

A Infraero analisa conceder áreas para a construção de hotéis também nos aeroportos de Porto Alegre, Congonhas (áreas retomadas da Vasp e da Transbrasil), Vitória, Confins (BH) e Curitiba.

Licitação atrai grupos estrangeiros

A empresa também está concluindo estudos para conceder ao setor privado uma área em Guarulhos (SP), onde será construído um edifício-garagem. Estão em fase de definição, por exemplo, o modelo de licitação e o prazo da concessão. A previsão é que o edital seja lançado ainda este ano. O próximo da lista deverá ser Curitiba. Os dois aeroportos enfrentam gargalos no estacionamento de veículos.

Na concorrência pela construção dos dois hotéis em Brasília e no Galeão, vencerá a disputa quem oferecer o maior preço. Segundo fontes da empresa, a expectativa em torno do resultado da licitação é muito positiva devido à procura de grandes operadores nacionais e estrangeiros (ingleses, espanhóis e italianos, além de investidores em geral).

- Fizemos várias reuniões com grupos estrangeiros. Há um grande interesse no Brasil, motivado pelos eventos da Copa do Mundo e das Olimpíadas - disse um técnico da Infraero, acrescentando que, para divulgar o evento fora do país, a Infraero contou com a ajuda do Itamaraty e das embaixadas brasileiras.

Hoje, há um hotel em Guarulhos e dois no Galeão. A intenção, segundo a fonte, é ampliar o serviço para toda a rede. Dessa vez, os novos empreendimentos ficarão próximos, mas fora do terminal, a fim de oferecer maior qualidade ao serviço, como dispor de janelas (hoje os quartos são confinados).

Os novos hotéis terão que oferecer uma categoria econômica mínima e serviços diversificados para atender um público mais exigente. Além de alternativas de meia diária, está previsto estender para os hóspedes as facilidades dos terminais, como sistema de informativo de voos, televisões operativas e check-in, em parcerias com as companhias aéreas.

As novas concessões vão incluir ainda áreas no aeroporto para que o usuário possa fazer reservas nos balcões de atendimento e ser conduzido até o hotel. A previsão é que as obras sejam concluídas dentro de 18 meses, a contar da assinatura do contrato, com prazo de concessão de 25 anos.

Projetos vão elevar receitas da Infraero

Em Brasília, o hotel ficará em frente ao aeroporto, numa área de 3,3 mil metros quadrados. Serão oito pavimentos, com 150 apartamentos e serviços como estacionamento próprio, café da manhã, restaurante/lanchonete, bar, business center e sala de reuniões. De acordo com o edital, o prazo de amortecimento do investimento será de 14 anos. No fim do contrato, o imóvel retorna à União.

O aeroporto da capital federal recebeu em 2009 12,2 milhões de passageiros, alta de 17% ante o ano anterior. São 4,7 milhões de conexões, e 70% dos usuários passam entre uma e sete horas no aeroporto.

No Galeão, o hotel ficará à esquerda de quem chega ao aeroporto e ocupará uma área de 4,8 mil metros quadrados. Serão concedidos dois espaços para balcões de atendimento ao usuário nos terminais de passageiros 1 e 2. O prazo de amortização do investimento será de 13 anos.

Com capacidade para 15 milhões de passageiros (foram 11,8 milhões em 2009), voos para 32 destinos nacionais e 19 internacionais e 1,4 milhão de conexões, também sobram motivos que justificam mais um do hotel no Galeão, segundo a Infraero. No Rio, o público potencial são passageiros em trânsito (conexão) e com destino a outras cidades, com viagens marcadas para as primeiras horas da manhã ou chegada no fim da noite, além de passageiros e tripulações hospedados pelas companhias aéreas.

Segundo fontes da empresa, além de atender melhor o público, as medidas podem melhorar as receitas comerciais da Infraero. Segundo o departamento comercial da empresa, no mínimo, os ganhos vão ajudar a cumprir a meta de aumento de 21,6% na arrecadação neste ano sobre 2009, quando foram auferidos R$780 milhões.

O BNDES concluiu que os ativos aeroportuários são subutilizados no Brasil, onde as receitas comerciais representam apenas 25% das receitas aeroportuárias totais, contra a 55% nos aeroportos internacionais.