Título: Oferta da Petrobras começa com forte procura
Autor: Carneiro, Lucianne
Fonte: O Globo, 14/09/2010, Economia, p. 25
Centenas de investidores confirmam participação em corretoras no primeiro dia de reservas de ações da estatal
Centenas de investidores já se registraram no primeiro dia do período de reservas de ações para a capitalização da Petrobras, segundo informações de corretoras. De acordo com executivos, a procura foi expressiva e bem maior que o registrado em outras ofertas públicas de ações, embora não haja um balanço formal.
¿ O primeiro dia foi agressivo, uma adesão muito boa ¿ disse o funcionário de uma corretora.
Em uma empresa concorrente, mais da metade dos acionistas de Petrobras confirmaram o interesse na capitalização.
Segundo analista da corretora, os investidores não querem correr o risco de perder o prazo.
Quem está interessado em participar da capitalização deve ficar atento, porque as corretoras exigem garantias que oscilam entre 15% e 50% do valor total do pedido para efetivar as reservas. As garantias podem ser ações da Petrobras ou de outra companhia, títulos do Tesouro Nacional, cotas em clubes de investimento ou dinheiro.
O restante deve estar disponível até 29 de setembro, data da liquidação financeira da operação.
Em algumas corretoras, a data final para o depósito integral do valor das ações pedidas na oferta é 26 de setembro.
Reserva para oferta prioritária só até dia 16 No primeiro dia, o interesse foi maior entre aqueles que já são acionistas da Petrobras, com direito a participar da oferta prioritária, cujo prazo de adesão é menor que o do varejo, que são os investidores em geral.
O investidor que já é acionista da Petrobras tem apenas até esta quinta-feira, dia 16 de setembro, para se cadastrar junto à sua corretora ¿ no caso de compra direta de ações ¿ ou à instituição administradora de seu Fundo Mútuo de Privatização (FMP), o FGTS Petrobras.
Já o prazo para os investidores em geral ¿ tanto para a compra direta de ações quanto para quem quer investir via Fundos de Investimentos em Ações (FIA-Petrobras) ¿ vai até 22 de setembro.
O cotista do FGTS-Petrobras Gustavo Cavalcanti procurou três agências da Caixa Econômica Federal ontem no Rio para se cadastrar na oferta, mas não conseguiu porque foram alegados problemas no sistema. Segundo a Caixa, duas agências eram de serviço especializado e, por isso, não permitiam o cadastro.
Na terceira agência, a Caixa informou que o problema deve ter sido localizado, pois não houve interrupção no sistema.
De acordo com a Caixa, 74 pessoas procuraram informações nas duas principais agências do Centro do Rio ontem sobre a capitalização e 31 delas já fizeram as reservas.
Ontem, as ações da companhia voltaram a subir na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
Os papéis ordinários (ON, com direito a voto) tiveram alta de 2,06% e os preferenciais (PN, sem voto), de 2,83%.
Os acionistas minoritários da companhia, interessados em participação maior na oferta prioritária, aumentaram sua fatia na Petrobras, provocando a alta das ações. E o diretor de Abastecimento da companhia, Paulo Roberto Costa, disse ontem que a empresa deve bater recorde de vendas de derivados de petróleo neste ano.
Decreto autoriza compra de sobras pela Petrobras O governo formalizou ontem, por meio de um decreto presidencial, a estratégia de comprar as sobras de ações da Petrobras que não forem adquiridas pelos demais acionistas na oferta pública que ocorrerá este mês. A intenção do Palácio do Planalto é aumentar o máximo possível a participação da União no capital social da estatal, que é de 39,8% atualmente.
A meta é tentar chegar a 50%. O decreto foi assinado na sexta-feira e publicado ontem.
O texto, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estabelece que a União poderá comprar o que tem direito no rateio entre os sócios ¿ 32,1% mais 7,7% da BNDESPar ¿ e as eventuais sobras dos demais acionistas. O pagamento será feito com títulos públicos.
E a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Ministério Público Federal informaram ontem que celebraram termo de compromisso com o ex-gerente executivo da BR Distribuidora Pedro Caldas Pereira em investigação de uso indevido de informação privilegiada na venda do grupo Ipiranga, em março de 2007. Pereira vai pagar o equivalente a três vezes o ganho de R$ 120 mil em operações feitas na época, além de ficar fora do mercado por três anos.
COLABOROU Bruno Villas Bôas