Título: Em campanha, Collor maquia seu passado
Autor: Gois, Chico de
Fonte: O Globo, 12/09/2010, O País, p. 17

Ex-presidente, que lidera a disputa para o governo de Alagoas, apaga o impeachment de sua biografia Enviado especial

MACEIÓ. Depois de tentar em 2002, sem sucesso, voltar ao governo de Alagoas (do qual esteve à frente entre 1987 e 1989), o senador Fernando Collor de Mello (PTB) disputa o cargo novamente e, segundo as pesquisas, conseguiu ampliar sua vantagem em sete pontos sobre o segundo colocado. Embora não tenha mais a compleição física dos anos 90, quando corria pelas avenidas de Brasília, Collor mantém o pique, e também o estilo agressivo. Ele não perdeu suas principais características: olhar firme, discurso inflamado e muitas bravatas. Esta semana, por exemplo, em comício numa comunidade pobre e violenta batizada com o nome de sua ex-mulher Rosane Collor, ele, bem ao estilo que o consagrou em 1989, mandou um recado aos bandidos: Quero dizer aos meliantes e delinquentes que assustam nossas famílias: comecem a sair de Alagoas, porque, se não saírem, no dia 1ode janeiro haverão de sentir o peso de minha munheca no seu espinhaço.

Collor é pródigo em citar suas realizações quando presidente (1990-92), mas não menciona o impeachment que sofreu, informação suprimida até mesmo de sua biografia no site da campanha.

Ele cita seu ex-inimigo Lula e sua candidata à Presidência, Dilma Rousseff (PT), como exemplos de boa administração que levou o país a crescer. E promete que, com ele, tudo será diferente também para Alagoas.

Até agora, segundo o Tribunal Regional Eleitoral, ele faz a campanha mais pobre entre os candidatos a governador, com uma arrecadação de pouco mais de R$ 1 milhão, sendo R$ 715 mil de recursos próprios. Collor tem um patrimônio declarado de mais de R$ 7 milhões, incluindo carros luxuosos, como uma Ferrari, uma Mazeratti e um Mercedes.

Na campanha, assim como no Senado, não dá entrevista.

De acordo com pesquisa do Instituto Sensus, divulgada sextafeira, Collor tem a preferência de 35,2% do eleitorado, enquanto o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) tem 27,7%, e o governador licenciado Teotonio Vilela Filho (PSDB), 21%. A margem de erro é de 3,1 pontos. Esses números, se mantidos, levarão a eleição ao segundo turno.