Título: Sindicalistas e petistas
Autor: Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 16/09/2010, O País, p. 11
Quando o ex-ministro José Dirceu admitiu, na Bahia, que o PT levou, sim, sindicalistas para o governo, confirmou estudo feito pela FGV e publicado pelo GLOBO em junho do ano passado: o levantamento do perfil dos ocupantes de cargos da alta administração no governo Lula identificou forte engajamento social, político e sindical de profissionais sem vínculos com o serviço público na gestão petista. O estudo fora apresentado pela pesquisadora Camila Lameirão, no Congresso do Conselho Nacional de Secretários de Administração.
Baseado em uma amostra dos ocupantes de DAS 5 e 6 e de cargos de Natureza Especial (NE), o estudo mostra que 25,9% desses profissionais eram filiados a partidos políticos, sendo que 80% deles declararam ser do PT. No primeiro mandato de Lula, os filiados eram 24,8%. A pesquisa mostra também que há um grande contingente de profissionais com filiação sindical 45% no primeiro mandato e 42,8% no segundo.
Nas conclusões do seu estudo, Camila afirma que o preenchimento desses cargos se faz recorrendo a lógicas que vão desde competência e confiança até padrões clientelistas: Como são cargos importantes para o desempenho da máquina pública, assumem papel crucial no sistema decisório. De outra parte, são formas de prestigiar alianças partidárias e sindicais, no caso dos dois governos Lula.