Título: Diretor citado em escândalo entrega carta de demissão
Autor: Maltchik, Roberto
Fonte: O Globo, 21/09/2010, O País, p. 4
Senador Quintanilha nega ser padrinho político do coronel que deixou Correios
BRASÍLIA. Alçado à direção dos Correios para estancar uma batalha política na estatal, o coronel Eduardo Artur Rodrigues foi obrigado a pedir demissão ontem a fim de tentar debelar uma crise ainda mais grave, que contaminou a Casa Civil da Presidência da República. O coronel deixou a direção de Operações por conta das relações nebulosas com o comando da Master Top Airlines (MTA), empresa de transporte de cargas que se valeu do lobby da empresa Capital, dos filhos da ex-chefe da Casa Civil Erenice Guerra, para renovar a licença de operação junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Na carta de demissão, o coronel Rodrigues afirma que sua saída não decorre de sua proximidade com a transportadora de cargas, contratada pelos Correios. Minha família está emocionalmente destroçada, minha vida sendo revirada e meu nome sendo alvo de suspeitas absurdas e infundadas.
Estou pedindo demissão (...) por iniciativa própria. Não sinto mais o prazer do trabalho e do desafio que a função exige, afirmou na carta.
Desde o início, fui alvo de ataque pela imprensa Ele ainda atribuiu sua demissão aos ataques da imprensa, que, segundo ele, fez acusações infundadas sobre sua ligação com a MTA. Desde o início fui alvo de ataque pela imprensa. Minha atuação, bem como de minha filha, no mercado de consultoria aeronáutica, sempre foram de domínio público e insinuações de propriedade ou controle de empresas do setor aéreo são facilmente desmentidas. Nos 48 dias em que permaneceu à frente da Operação dos Correios, o coronel Rodrigues esteve sob a sombra de sua ligação com a MTA. Enquanto os Correios travavam uma batalha jurídica com a empresa, que mantém seu contrato amparado em liminar da Justiça, Rodrigues defendia a regularidade da empresa, que, segundo ele, tem plenas condições para operar.
O próprio presidente dos Correios, David José de Matos, admite que a MTA não goza de prestígio na estatal: Ela só opera por força da liminar. Estamos fazendo todo o possível para derrubar essa decisão.
Matos nega que haverá nova reforma geral nos Correios Ontem, o presidente dos Correios entregou a carta de demissão de Rodrigues ao ministro das Comunicações, José Artur Filardi. O coronel disse que chegou ao cargo por indicação do senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), mas este negou, por meio da assessoria, que tenha sido o padrinho político do ex-diretor. Segundo o presidente dos Correios, a escolha do novo direitor caberá ao presidente Lula. O Palácio do Planalto informa que até agora nenhuma decisão foi tomada.
David José de Matos negou ainda que a demissão do coronel Rodrigues seja o estopim de uma nova reforma geral na direção da estatal, que assumiu no começo de agosto, depois que o Planalto detectou disputa entre os diretores que poderia causar um apagão postal: Não há risco de apagão postal. Estamos trabalhando normalmente. Tudo está funcionando.
A saída dele foi uma decisão pessoal.
No Planalto, a demissão do coronel foi atribuída a vingança dos ex-diretores da estatal demitidos há menos de dois meses. A Presidência também publicou no Diário Oficial da União portaria criando a comissão de sindicância, que tem 30 dias para investigar as denúncias de tráfico de influência na Casa Civil.
Ontem, a Anatel também divulgou nota rebatendo as denúncias sobre a suposta influência de Erenice Guerra para que a agência facilitasse a contratação pelo governo de serviços da Unicel, empresa de telecomunicações que tem como diretor o marido da ex-chefe da Casa Civil, José Roberto Campos. Segundo a Anatel, todas as decisões são públicas e fiscalizadas pelos órgãos de controle.
DNPM divulga nota sobre autuações à Matra arquivadas O Departamento Nacional de Proteção Mineral (DNPM) também divulgou nota para informar que as autuações arquivadas contra a empresa de mineração de José Roberto, a Matra, não serviram para perdoar multas, mas sim para corrigir para baixo o valor das penalidades.