Título: Desemprego cai e renda sobe
Autor: Ribeiro, Fabiana
Fonte: O Globo, 24/09/2010, Economia, p. 27
Taxa de desocupação ficou em 6,7%, a menor desde 2002. Informalidade também recuou
Omercado de trabalho brasileiro está no melhor momento dos últimos oito anos. Em agosto, a taxa de desemprego das seis principais regiões metropolitanas do país surpreendeu analistas e atingiu 6,7% - abaixo de 6,9% de julho e de 8,1% de igual mês do ano anterior. Trata-se da menor taxa apurada desde que o IBGE iniciou a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), em março de 2002. E os ganhos dos trabalhadores também foram recorde: o rendimento médio está em R$1.472,10, numa alta de 1,4% frente a julho e de 5,5% em relação a agosto de 2009. Segundo economistas, os números do mercado de trabalho apontam para novas quedas na desocupação que, contudo, podem pressionar a inflação.
- Os números apontam para um cenário econômico com dinamismo. Mais 115 mil pessoas passaram a fazer parte dos ocupados em agosto, frente a julho. Na comparação com agosto do ano passado, foram quase 700 mil. Mais gente está trabalhando e o vigor de antes da crise voltou - disse Cimar Azeredo, gerente da PME, frisando que o destaque foi São Paulo, com desocupação de 6,8%, a menor da série.
Ainda que os desempregados somem 1,6 milhão de pessoas, os números mostram que o mercado de trabalho ganha qualidade. Dos ocupados, 46,2% são empregados com carteira - estabilidade frente a julho e avanço ante agosto de 2009 (44,5%). Das 691 mil vagas abertas entre agosto de 2009 e mês passado, 685 mil são com carteira assinada. Para analistas, a ampliação do estoque formal tem se dado pela geração de novos postos, mas também pela formalização de postos informais já existentes.
Azeredo, do IBGE, lembra ainda que, na média de janeiro a agosto, a taxa de desocupação de 7,2% também foi a menor para os oito primeiros meses do ano desde o início da série.
- É de se esperar, como em anos anteriores, que dezembro apresente taxa inferior. E ainda deve haver efeito de eleições - afirmou ele, ressaltando que, em 2008, a taxa de desocupação do Brasil era a segunda maior entre as maiores economias do mundo; em 2009, após a crise, passou a ser décima.
Faltam engenheiros e soldadores
Com o poder de compra em alta, a massa salarial (os ganhos habituais somados de todos os ocupados) cresceu 1,8% sobre julho e 8,8% sobre agosto de 2009, atingindo R$32,9 bilhões. Para Azeredo, trata-se de reflexos de aumento do salário mínimo, queda da inflação, avanço na formalização e melhora do cenário econômico brasileiro.
Na avaliação de André Campos, economista do Ipea, o mercado de trabalho está mais inclusivo. Ele cita que os informais aumentaram os rendimentos (7,6% frente a agosto de 2009). Também há forte expansão em regiões em que os ganhos são menores - Recife (17,5%) e Salvador (7,7%).
- E os setores de construção e de serviços domésticos também pagaram mais (9,3% e 9,1, respectivamente). Isso ajuda a reduzir desigualdade e torna o processo de transformação mais duradouro - comentou Campos, acrescentando que falta de qualificação pode ser dar um freio às conquistas.
O presidente do Movimento Brasil Competitivo, Erik Camarano, lembra que já há escassez de profissionais de níveis superior (como engenheiros) e técnico (como soldador).
- No que diz respeito ao dinamismo econômico, e o mercado de trabalho é um indicador, o Brasil está na frente de países da Europa e dos EUA. Porém, ainda está atrás em quesitos como a educação, que pode prejudicar esse crescimento.
Estudo divulgado ontem pelo Ipea mostra que, apesar do impacto da crise sobre o mercado de trabalho em 2009, as vagas criadas naquele ano foram de maior qualidade. Usando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, o Ipea constatou que a parcela dos trabalhadores com carteira subiu 7,2 pontos percentuais em 2009, empurrando a taxa de informalidade para 48,45%, o nível mais baixo dos últimos dez anos.
COLABOROU Clarice Spitz