Título: Fiz de minha vida uma missão
Autor: Lins, Letícia
Fonte: O Globo, 26/09/2010, O País, p. 21
RECIFE. Aos 70 anos, o senador Marco Maciel é lembrado por adversários e aliados. O tucano José Serra (PSDB) disse que Maciel, pela discrição e lealdade, é o vice com o qual todo presidenciável sonha. Já Lula, em Recife, pediu à população que não vote no senador desde o tempo do imperador.
Os aliados de Maciel reconhecem a avalanche Eduardo Campos, mas creem em sua força pessoal e nos serviços prestados à população.
Maciel vive nos dois últimos anos o melhor momento de sua vida política.
Ele ultrapassou todas as crises do Senado com conduta irretocável do ponto de vista ético diz o exministro Gustavo Krause, do comando da campanha do senador.
Letícia Lins
O GLOBO: Esta é a eleição mais difícil?
MARCO MACIEL: Cada eleição tem sua história. Fiz de minha vida uma missão, colocando-me a serviço do povo pernambucano.
Como encara as divergências nas pesquisas eleitorais sobre o Senado?
MACIEL: É preciso distinguir os diferentes interesses em jogo. Em todo lugar, não só em Pernambuco, há pesquisas a serviço de candidatos, assim como há aquelas sérias.
Considera que seu eleitorado permanece fiel?
MACIEL: O eleitor tem consciência cívica e fará a sua escolha com sabedoria.
Não pratico política como mero exercício ou desfrute do poder, a forma mais mesquinha de exercê-la.
Pratico como a possibilidade de transformar o poder para fazer dele instrumento de justiça e igualdade.
Apesar de seu estilo discreto, nem o presidente nem os candidatos têm poupado o senhor. Como vê essas manifestações?
MACIEL: Elas se fazem presentes na disputa eleitoral.
Mas democracia é muito mais do que isso. Acredito no poder das ideias.
Sempre defendi o princípio de que as convicções não são empecilho ao entendimento e à conciliação. Na ausência dessas condições, a prática política se transforma em exercício estéril do confronto, da denúncia, do desrespeito
O DEM precisa se modernizar?
MACIEL: É uma questão presente ao cotidiano de todos os partidos, a necessidade de modernizar discurso e prática.