Título: Discurso eleitoral em ato de governo
Autor: Roxo, Sérgio
Fonte: O Globo, 30/09/2010, O País, p. 15

Na Bahia, Lula comenta feitos e diz que hoje Obama o chamaria de "o cara do cara"

Enviado especial

SÃO FRANCISCO DO CONDE (BA) e SALVADOR. Em visita oficial à Bahia, a quatro dias das eleições, o presidente Lula abusou ontem nos recados com significado eleitoral e nas comparações entre governos anteriores e o seu, uma das estratégias da campanha da petista Dilma Rousseff.

Lula conclamou a população a votar de coração, incitando-a a escolher projetos de continuidade.

Decidam de coração.

Quero que vocês tenham muita sorte no dia 3 e, depois, voltarei aqui, com meu companheiro governador, as eleições já acabaram (sic), e a gente vai poder percorrer o estado inaugurando obras, anunciando novas obras, porque a Bahia de Todos os Santos não pode parar, o Brasil não pode parar disse, na entrega de viadutos, em Salvador.

Numa clara alusão ao carlismo, que dominou a política baiana por décadas, Lula disse que os tempos não são mais de coronel, mas de companheiro no poder.

Embora impedido de participar do evento por causa da legislação eleitoral, o governador Jaques Wagner (PT), candidato à reeleição, não foi esquecido, presente no discurso do presidente: A gente andava de cabeça baixa. Os governos não cuidavam dos pobres, não tinham nenhuma atenção, governavam para meia dúzia. Agora vocês sabem o tipo de governo que a Bahia tem. Ou seja, o povo não quer mais coronel na política, o povo quer companheiro, parceiro.

Pouco antes, Lula participara da cerimônia de 60 anos da Refinaria Landulpho Alves, em São Francisco do Conde.

No evento da Petrobras, ele se vangloriou por ter figurado em quatro revistas francesas recentemente. Com macacão de petroleiro, desceu do palco para abraçar fãs, tirar fotos e distribuir abraços aos petroleiros, que foram dispensados do trabalho para vê-lo. Numa espécie de discurso-exaltação, Lula disse que, hoje, ele é mais que o cara.

Imagina que o Obama (Barack Obama, presidente dos EUA) falou que eu era o cara há dois anos. Ele ainda não conheceu as pesquisas que estão saindo nestes dias, em que nós vamos terminar o mandato com mais de 80% de aprovação (...) Se o Obama souber disso, e se ele soubesse que (...) sou presidente que mais fez universidades no Brasil, que mais fez escolas técnicas, e que peguei o orçamento (de educação) com R$ 20 bilhões e o deixei com mais de R$ 70 bilhões, ele ia falar: Não é que esse cara é o cara do cara?