Título: Gilmar nega ter conversado com Serra
Autor: Brígido, Carolina
Fonte: O Globo, 01/10/2010, O País, p. 17

Ministro afirma que seu pedido de vista não teve motivação política

BRASÍLIA. O ministro Gilmar Mendes negou ontem que tenha conversado por telefone com o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, poucas horas antes de pedir vista do processo sobre os documentos necessários na votação. Segundo o jornal ¿Folha de S.Paulo¿, Gilmar teria recebido a ligação de Serra antes da sessão plenária de quarta-feira. A reportagem conta que o candidato teria chamado o ministro de ¿meu presidente¿. O PSDB pretendia que o STF mantivesse a exigência de o eleitor levar dois documentos:

¿ Serra nem me chama de ¿meu presidente¿, chama de Gilmar ¿ disse o ministro a jornalistas. ¿ Vão ficar patrulhando com quem a gente fala?

Na sessão de ontem do Supremo, Gilmar disse ter ficado surpreso com a suspeita de que teria sido motivado por questões político-partidárias ao pedir vista do processo. Ele afirmou que costuma conversar com políticos e não vê problema nisso:

¿ Ainda ontem, conversava com o deputado Flavio Dino (PCdoB-MA). Conversar com parlamentares ou políticos não nos leva à condição de suspeitos nos processos judiciais. É preciso que as pessoas aprendam um pouco.

Gilmar apresentou no início da sessão sua defesa em relação ao pedido de vista para análise da exigência de dois documentos para poder votar.

¿ Eu me surpreendi com a notícia dizendo que meu pedido de vista foi ocasionado por motivação político-partidária. Quem me conhece sabe muito bem que jamais me deixei pautar por interesses políticos partidários. No TSE, fixei orientação para que houvesse critério nas decisões contra casuísmos.

Gilmar explicou que pedir vista significa uma pausa para pensar melhor no tema. Afirmou que, muitas vezes, um pedido de vista muda o rumo do julgamento. Ele considera o ato justificável ¿ainda que houvesse dez votos¿ em determinada direção.

Serra negou a conversa:

¿ Não conversei com o Gilmar Mendes, mas poderia ter conversado. Não teria nada demais nisso.

Ele comentou ainda a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que derrubou a exigência de dois documentos:

¿ Não vejo com grande preocupação essa decisão. Só achei estranho que uma lei aprovada há um ano pelo Congresso, pela Casa Civil, onde Dilma Rousseff era a chefe, encaminhada ao presidente Lula, que a sancionou, e instruída pelo TSE, tenha sido na última hora questionada pelo PT. A lei tornava o voto mais seguro. O PT deve achar que o voto menos controlado o favorece.

Dilma elogiou a decisão:

¿ É uma vitória para nós. Porque facilita o ato de votar de milhões de brasileiros.

Sobre o telefonema de Serra para Gilmar, Dilma comentou:

¿ Não sei se ele entrou (em contato com o ministro). Tem um jornal afirmando, mas não vi provas. Se entrou, é uma das provas mais escandalosas de aparelhamento.