Título: Não pode ser negociação fisiológica
Autor: Roxo, Sérgio
Fonte: O Globo, 05/10/2010, O País, p. 10
Presidente do PV do Rio, o deputado eleito Alfredo Sirkis se reuniu ontem com a ex-candidata do PV à Presidência Marina Silva. Depois, lançou a proposta de realizar uma convenção para decidir quem o partido vai apoiar, já encampada por Marina
O GLOBO: Como será a definição do apoio do partido no segundo turno?
ALFREDO SIRKIS: O fundamental é programa. Não pode (ser) uma negociação do tipo fisiológica. Seria uma afronta a tudo que se conseguiu nesta eleição e ao extraordinário resultado que a Marina teve. E o processo (de apoio) já foi deliberado em 2009, quando a Executiva Nacional do PV decidiu que haveria uma convenção depois do primeiro turno.
E que o apoio ou a neutralidade será decidido nessa convenção
E como seria esse processo?
Antes da convenção, temos que elaborar uma plataforma mínima para ser discutida com os dois candidatos. E depois passar a deliberação coletiva a quem deve participar, inclusive segmentos que não estão dentro do partido. Quero que seja um processo exemplar de abordagem programática de segundo turno. Já que perdemos, podemos dar uma contribuição para a sociedade melhorando a qualidade da discussão política e colocando a questão da sustentabilidade no centro do debate.
Quem votaria na convenção?
SIRKIS: Seriam basicamente delegados e dirigentes. Mas a gente teria que criar mecanismos de participação e de consulta de outros segmentos. Por exemplo, há novos parlamentares eleitos, você tem candidatos que não foram eleitos que têm grande representatividade, como os nossos candidatos a governador e a senador em certos estados, e há um Movimento Marina Silva que é uma voz que precisa ser ouvida. A gente está diante de um processo complexo.
Quanto demoraria o processo?
SIRKIS: Uns 15 dias.
Quando houver uma definição, como seria a participação da Marina na eleição? Subiria em palanque?
SIRKIS: A participação está a critério dela própria. Entendo que neste momento existe uma ansiedade por parte dos dois candidatos, que já mandaram seus emissários entrar em contato com as pessoas que têm mais relação dentro do PV, e existe uma ansiedade ainda maior por parte da mídia. Agora, vão ter que enfrentar essa ansiedade, porque queremos que seja um processo exemplar, de absoluta transparência, que faça jus à votação que Marina teve.
O PV tem uma ligação maior com o PSDB. Participou do governo Serra e estavam aliados na eleição para o governo do Rio. Esse é um canal que facilita o entendimento?
SIRKIS: Não quero especular a esse respeito. Existem vínculos e participações de governo tanto com o PT quanto com o PSDB.
E a sua posição pessoal?
SIRKIS: Minha posição vai permanecer reservada até o dia da convenção.