Título: Dilma faz acenos para Marina e ataques a Serra
Autor: Jungblut, Cristiane; Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 05/10/2010, O País, p. 4

Apesar do passado, petista diz ter "mais proximidades que diferenças" com verde

BRASÍLIA. Ao lado de dez governadores e de parlamentares já eleitos no primeiro turno, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, partiu ontem para uma tática de aproximação com a candidata derrotada do PV, Marina Silva, e de confronto direto com o adversário do PSDB, José Serra. Esquecendo os desentendimentos que tiveram na época em que foram ministras, Dilma admitiu que perdeu votos para Marina e disse que tem mais proximidades do que diferenças com ela. A petista disse que daria muito valor a um apoio de Marina no segundo turno.

Ao agradecer os mais de 47 milhões de votos, Dilma disse que fazia isso com humildade.

Ela citou a palavra Deus pelo menos duas vezes ao longo da entrevista.

Dilma disse que telefonou para Marina para cumprimentá-la pelo seus quase 20% dos votos, mas negou que tenha pedido diretamente apoio à ex-colega de sigla. A petista disse que isso seria desrespeitoso e invasivo.

Dou muito valor ao apoio da Marina. Não significa que ela vai me apoiar, mas respeito a Marina como militante política e acredito que temos mais proximidades do que diferenças disse Dilma. O PV nunca integrou a base da minha coligação, nem é minha pretensão (que eles integrem), mas, de repente, resolvem integrar. Se resolver, será muito bem-vindo; mas não está nas nossas expectativas.

Não sou dona dos 47 milhões de votos. Ninguém é Dilma disse que Marina fez campanha qualificada, sem baixar o nível, mas acusou seu principal rival de tê-lo feito: Hoje (ontem), liguei para a Marina e a parabenizei (por isso). Temos uma proximidade histórica com a Marina.

Dilma disse ainda que, no momento certo, conversará com a senadora sobre apoio. Mas mandou um recado: ninguém é dono dos votos que recebeu: Num segundo momento, vamos, de fato, conversar com ela. Mas sem atravessar o samba.

Vamos estabelecer pontes e canais, sem nenhum tipo de pressão. Não é adequado. Obviamente, a gente espera ser correspondido.

Agora, não sou dona dos 47 milhões de votos. Ninguém é, nem a Marina. E acho que ela tem consciência disso.

Já incorporando discursos de Marina, Dilma disse querer um desenvolvimento sustentado, que gera empregos e acabe com a miséria.

Quanto a Serra, Dilma retomou o discurso de comparar os projetos do governo Lula e do governo Fernando Henrique Cardoso.

E atacou a proposta de salário mínimo de R$ 600 e de reajuste de 10% aos aposentados: Nosso processo leva a salários maiores que R$ 600. Não é um processo que dá mais (agora) e depois não dá nada mais.

Há diferença entre falar e fazer.

Em mais ataques a Serra, Dilma disse que o governo Lula não faz política social como adereço: Serão dois processos que ocorreram no Brasil. E aí não é olhar para o retrovisor. É discutir o seguinte: esse foi seu governo (de FH), quem me garante que não irá repeti-lo? E, questionada a respeito da dose certa da participação de Lula no segundo turno, reagiu: A gente não pode falar em dose certa, não é um remédio.

Pode ser solução para algumas coisas, mas não é remédio.