Título: Ex-governador tentou tirar ministro do julgamento
Autor:
Fonte: O Globo, 02/10/2010, O País, p. 4

Com a contratação de genro de Ayres Britto, o ex-governador queria forçar seu afastamento

BRASÍLIA. Novo trecho de gravação divulgado ontem sobre as negociações entre o ex-governador Joaquim Roriz e o advogado Adriano Borges Silva, genro do ministro Ayres Britto, mostra que o candidato ofereceu R$1 milhão para que Adriano apenas emprestasse seu nome para a ação que seria enviada ao Supremo Tribunal Federal. A presença de Adriano entre os advogados de Roriz forçaria o afastamento de Ayres Britto do caso e, com isso, o ex-governador poderia vencer a disputa e voltar a ser candidato ao governo local.

Na gravação, Roriz apresenta sua proposta final:

- Eu pensei bem, e vou te fazer a contraproposta: eu te dou um milhão no êxito. Não precisa você fazer nada.

- Vamos fazer assim, governador: nem tanto ao mar nem tanto a terra. Vamos fechar em um e meio - responde Adriano, insistindo que gostaria de atuar efetivamente no caso e não apenas emprestar o nome à causa.

Roriz diz que não pode aumentar o pagamento. Afinal, Adriano não faria esforço. A ideia seria apenas emprestar o nome para o recurso. Mas o advogado discorda e diz que acha importante assinar o recurso.

- Não, não, eu quero assinar, é necessária minha assinatura pelo menos, governador - insiste Adriano.

Depois da conversa, Adriano teve um encontro com Eládio Carneiro, chefe da equipe de advogados do ex-governador, e pediu para retirar seu nome do primeiro recurso de Roriz contra a decisão do TSE de manter a impugnação da candidatura. Adriano é casado com a advogada Adriele Ayres Britto.

Roriz e Adriano tiveram um encontro em 3 de setembro, na casa do ex-governador. Na conversa, gravada pelo próprio Roriz, o advogado chegou a pedir R$4,5 milhões para atuar na defesa do então candidato, o que resultaria no impedimento do sogro no julgamento do STF.

Ao GLOBO, Adriano disse que só aceitou participar da negociação com Roriz porque "ficou encantado" com a conversa do ex-governador e porque considera justa a causa contra a aplicação imediata da Ficha Limpa.

- Sabe onde eu errei ? Vou dizer com sinceridade: foi quando eu aceitei ver esse caso. Só posso fazer essa avaliação hoje. Eu não tinha como fazer essa avaliação no dia 30, quando o Eládio veio, ou no dia 31 quando o Roriz me encantou com a oratória, com a forma de falar, se colocando como injustiçado.

O coordenador de Comunicação de Roriz, Paulo Fona, disse que quem tem que dar explicações é Adriano.