Título: MPF abre investigação sobre Roriz e genro de Ayres Britto
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Fonte: O Globo, 02/10/2010, O País, p. 4
Ex-governador terá que entregar vídeo com toda a conversa com advogado
AYRES BRITTO: para o ministro, seu genro foi alvo de uma cilada
BRASÍLIA. A pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, abriu ontem uma investigação para apurar suposto crime na negociação de um contrato de R$4,5 milhões entre o ex-governador Joaquim Roriz e o advogado Adriano Borges Silva, genro do ministro do STF Ayres Britto. Peluso solicitou a investigação ao procurador a pedido do próprio Ayres Britto.
Vídeo gravado por Roriz mostra uma conversa entre ele e Adriano em 3 de setembro. Se o advogado fosse contratado, Ayres Britto teria que se afastar da votação do recurso do ex-governador contra a Lei da Ficha Limpa, por ter um parente na defesa do candidato. Assim, Roriz poderia vencer a disputa por 5 a 4.
Gurgel estabeleceu prazo até as 12h de segunda-feira para que Roriz entregue cópia integral do vídeo. "Assim que for recebido o vídeo, o procurador-geral da República determina sua remessa ao diretor-geral da PF para que providencie, com a máxima urgência, a sua perícia e a sua degravação", diz nota divulgada pela procuradoria.
Num trecho da conversa com Adriano, Roriz pergunta como seria o voto de Ayres Britto no caso da Ficha Limpa:
- Eu gostaria da sinceridade sobre o voto de seu sogro.
- Não... Vossa Excelência... nenhuma. A única coisa que eu tô precisando... É que ele não leve... Com isso aí ele não vai participar... Tá impedido - diz Adriano.
- Então é êxito - diz Roriz.
- É um voto... É um êxito, de certa forma, né?... - endossa Adriano.
No início da conversa, o advogado pediu R$4,5 milhões para participar do recurso que Roriz apresentaria ao STF. Roriz considerou o valor muito alto. No final, os dois tentam um novo acordo, mas o negócio não é fechado. Ayres Britto diz que o genro caiu numa cilada. Auxiliares de Roriz sustentam que Adriano se ofereceu para fazer o serviço porque sabia das implicações que isso teria no caso.
Ayres Britto votou contra os interesses de Roriz. A votação terminou em 5 a 5. E Roriz renunciou à candidatura ao governo. Eri Varela, advogado de Roriz, também pediu investigação do caso e sugeriu que a apuração se estenda a Ayres Britto e ao presidente do TSE, Ricardo Lewandowski. Para Varela, Lewandowski deve esclarecer despachos que deu no processo. Os dois ministros votaram contra Roriz.