Título: Não vou entregar a faixa
Autor: Almeida, Cássia; Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 08/10/2010, O País, p. 4

Inspirado, presidente diz que vai colar "a bichinha na barriga"

ANGRA DOS REIS. Em um tom emotivo e brincalhão, Lula usou o evento de ontem da Petrobras, em Angra dos Reis, para se despedir da cidade como presidente. Bem humorado após uma hora e meia de visita à plataforma P-57, quando ficou à vontade tirando fotos com trabalhadores, Lula chegou a afirmar que não entregará a faixa presidencial a seu sucessor.

- No dia 31 (de dezembro), quando der meia-noite, eu ainda não vou entregar a faixa. Eu estou pensando em colar a "bichinha" na barriga, colar com uma cola daquelas que não largam, e sair correndo - disse Lula, provocando gargalhadas entre os presentes.

No início de seu discurso, após estourar uma garrafa de champanhe na plataforma de forma automática - ele apertou um botão que liberou uma garrafa contra a embarcação - ele disse lamentar não ter a bebida em seu palanque:

- Eu quero, primeiro, dizer que eu fiquei com água na boca quando aquele champanhe estourou lá, e o meu pessoal, em vez de colocar champanhe aqui (disse, levantando seu copo), colocou água. Espero que outras pessoas tenham um cerimonial mais inteligente.

Ele disse que apoiou a reeleição de Cabral porque quer um amigo governador:

- Eu, como pernambucano e meio paulista, mas, sobretudo como brasileiro, estou feliz porque virei muitas vezes ao Rio e eu quero ter um amigo governador, e não um adversário como governador - disse, convidando o atual governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, a ser companheiro de pescaria, que Cabral terá de providenciar à dupla quando eles "não tiverem mais nada pra fazer".