Título: Polícia só bate em quem deve bater
Autor: Almeida, Cássia; Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 08/10/2010, O País, p. 4
Lula diz que modelo das UPPs deve ser aplicado em todo o Brasil
ANGRA DOS REIS. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem, na cerimônia da P-53, a política de segurança pública de Sérgio Cabral, dizendo que o modelo das UPPs deveria ser aplicado em todo Brasil. Ao defender a nova atuação nas favelas, contudo, Lula disse que agora a polícia "só bate em quem deve bater":
- Nós não vamos mandar para cá a polícia apenas para bater. A polícia vai vir para cá para bater em quem tem que bater, proteger quem tem que proteger, mas o Estado tem que trazer para cá cultura, educação, emprego e decência - disse o presidente.
Ao elogiar a reeleição do governador Sérgio Cabral, Lula convidou metalúrgicos a subir favelas para ver como estão as mudanças e como há mais paz nas comunidades. Entretanto, ele citou locais que ainda convivem com a violência.
- Você (Cabral) governa um estado que não aparece mais nas páginas policiais como aparecia antes. Lógico que tem criminoso, lógico que tem bandido, mas eu estou convidando vocês (metalúrgicos) para subirem comigo, um dia, e com o Sérgio a favela de Manguinhos, o Complexo do Alemão, Pavão-Pavãozinho, para perceberem o que nós estamos dizendo para aquele povo de lá - disse Lula, que parabenizou o povo carioca por ter reeleito o governador.
Lula aproveitou a cerimônia para dizer que nenhum político pode dizer que teve pedido de recursos federais negados por questões partidárias e aproveitou para estocar a ex-governadora do Rio, Rosinha Garotinho, que, segundo ele, conseguia ser "mal-humorada mesmo governando um estado como o do Rio". Ele aproveitou e falou mais uma vez do que acredita ser o legado de seu governo.
- Sei que o grande legado que eu vou deixar é ter despertado na cabeça de cada mulher e de cada homem deste país que, se eu pude ser presidente da República e fazer o que fiz por este país, significa que qualquer um de vocês pode ser presidente da República, pode ser governador e pode ser prefeito.