Título: Petrobras não bate meta de produção pelo 4º ano
Autor: Nogueira, Danielle; Carneiro, Lucianne
Fonte: O Globo, 07/10/2010, Economia, p. 28
Com desempenho abaixo do esperado e novo relatório de banco com projeções ruins, ações da empresa caem até 5,2%
Pelo quarto ano seguido, a Petrobras não atingirá a meta de produção de petróleo no Brasil.
De acordo com o gerente executivo de Exploração e Produção para o Sul e Sudeste da empresa, José Antônio de Figueiredo, a produção este ano ficará de 2% a 3% abaixo da meta, que era de 2,1 milhões de barris por dia. Ano passado, a produção foi de 1,97 milhão de barris diários, em média.
O anúncio e a divulgação de um novo relatório com avaliações negativas da empresa desta vez do britânico Barclays fizeram as ações da empresa caírem até 5,22% durante os negócios ontem na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
Nós sempre elaboramos metas desafiadoras, para irmos em frente desconversou o executivo, durante evento na sede da Petrobras, no Rio, sobre o batismo da plataforma P-57, que irá operar no campo de Jubarte, na Bacia de Campos.
Segundo Figueiredo, não houve nenhum evento específico, como paradas de produção não programadas, que explicassem o desempenho abaixo do esperado.
A empresa frisou ainda que, em seu Plano de Negócios 20102014, divulgado em junho, já havia sido informado que a meta de produção poderia ficar 2,5% abaixo ou acima do previsto.
A queda das ações da Petrobras puxou o Ibovespa, principal índice da Bolsa paulista, que caiu 1,04%, aos 70.541 pontos.
O relatório do Barclays reduziu a recomendação para as American Depositary Receipts (ADRs, espécie de recibos de ações negociados na Bolsa de Nova York) preferenciais (PN, sem direito a voto) da empresa de overweight (peso acima da média do mercado) para equal weight (neutro). O preço-alvo da ação (expectativa de quanto estará em 12 meses) caiu de US$ 39 para US$ 34. Já para as ADRs ordinárias (ON, com voto), o Barclays manteve a recomendação de equal weight, mas também reduziu o preço alvo de US$ 40 para US$ 35.
Ações ficaram entre as maiores quedas do Ibovespa O documento aponta que o retorno de capital da empresa no futuro pode ser negativamente afetado pelos fortes investimentos em refinarias. Também há preocupação com uma possível troca do comando da empresa com o novo governo. O Barclays diz que a companhia pode precisar de uma nova capitalização entre 2013 e 2014. Na última terça-feira, a Itaú Corretora também reduziu a expectativa para o desempenho das ações preferenciais da empresa de acima da média do mercado para em linha com o mercado.
As ações PN da Petrobras acabaram fechando em queda de 4,15%, a R$ 25,86, e as ON (ordinária, com voto), em baixa de 3,98%, a R$ 29,18, respectivamente, a terceira e a quarta maiores quedas do Ibovespa.
Essa queda pode ter começado com um rearranjo da carteira dos investidores, com um maior volume de ações da Petrobras no mercado, mas acredito que acabou gerando um clássico movimento de manada dos investidores vendendo os papéis afirmou Osmar Camilo, da Socopa Corretora.
O analista da Um Investimentos Paulo Hegg acredita que os papéis da companhia devem continuar voláteis nos próximos dias, já que podem sair outros relatórios de bancos com piora nas recomendações. Sua expectativa é de valorização mais expressiva a médio prazo.