Título: Para petistas, campanha no 1º turno foi insossa
Autor: Camarotti, Gerson; Lima, Maria
Fonte: O Globo, 10/10/2010, O País, p. 12
Orientação é que Dilma evite temas polêmicos e vá para o enfrentamento BRASÍLIA. Na avaliação de um integrante da equipe petista, Ciro Gomes vocalizou muitas críticas à antiga condução da campanha, pedindo que Dilma fosse mais autêntica no segundo turno ¿ além, claro, dos torpedos que ele lançou contra o principal aliado de Dilma, o PMDB. Até então, ela era fortemente blindada pelos três coordenadores originais da campanha: o presidente do PT, José Eduardo Dutra, e os deputados Antonio Palocci (PT-SP) e José Eduardo Martins Cardozo (PT-SP).
¿ Fala-se muito na necessidade de mudanças. Mas não vejo necessidade. Se tivesse ganhado no primeiro turno, ninguém estaria falando nisso ¿ diz o líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).
Tudo o que Dilma falava era controlado e testado para evitar escorregões no improviso. Além disso, aliados e petistas agora criticam internamente o marqueteiro João Santana por ter optado por uma ¿campanha insossa¿ no primeiro turno, com o objetivo de garantir a vantagem.
O problema é que a falta de uma reação imediata, agora é apontada como um dos erros, cristalizou temas negativos associados à Dilma: a defesa pela descriminalização do aborto, a proximidade com a ex-chefe da Casa Civil Erenice Guerra e a quebra de sigilo fiscal da filha de Serra. A situação só não está pior, dizem petistas, porque a campanha do tucano também enfrenta dificuldades.
¿ Agora, Dilma será menos olímpica. Vai rebater todas as acusações ¿ diz o presidente do PT, José Eduardo Dutra.
A cautela é para evitar que o excesso de opiniões e ¿pitacos¿ possa dificultar mais o encontro de uma nova bússola para a campanha. O maior exemplo de que o discurso de Dilma estava errático foi o fato de ter levantado espontaneamente o polêmico debate sobre o aborto, quando a equipe tentava tirar o assunto da agenda.
O único consenso entre a cúpula petista e os novos coordenadores da campanha é que Dilma deve sair da agenda negativa, como aborto, aliados derrotados e problemáticos, afastar-se do escândalo Erenice e partir para o enfrentamento.
A ordem é recuperar a estratégia original da eleição plebiscitária. E estabelecer as comparações entre governos.
Foi o que deu certo num primeiro momento da campanha, lembra José Eduardo Dutra: ¿ Temos que fazer uma campanha com o conflito mais explícito do embate de dois projetos.
Intensificar projetos e comparações.
No primeiro turno, o PSDB optou por factoides e Marina acabou quebrando o caráter plebiscitário.
Temos que resgatar o debate sobre nossas diferenças.
Outro desconforto no PT foi com a pressão explícita de aliados, especialmente o PMDB, após as eleições.
¿ Temos que ganhar a eleição para só depois discutir cargos ¿ reagiu o líder do PT, deputado Fernando Ferro (PE).