Título: Senadora se recusa a revelar em quem votará
Autor: Roxo, Sérgio
Fonte: O Globo, 18/10/2010, O País, p. 14
Candidata derrotada rebate acusação de que posição neutra prejudica o PT na reta final
SÃO PAULO. Marina Silva não pretende declarar como votará no dia 31 de outubro. A candidata derrotada à Presidência da República não quis revelar nem se optará por um dos finalistas da disputa ou se votará em branco ou nulo.
¿ O voto é secreto. Para manter a minha independência no processo político, vou me reservar esse direito de eleitora que tenho.
Perguntada como avaliava o voto nulo, Marina foi evasiva.
¿ Na democracia, o eleitor é responsável pelo seu voto ¿ disse.
A candidata derrotada rebateu um questionamento de que, ao não apoiar nenhum dos dois candidatos e, em razão da proximidade entre eles nas pesquisas, poderia ajudar a acabar com a gestão do PT, seu ex-partido.
Ela citou uma crítica que era feita ao presidente Lula na época da fundação do Partido dos Trabalhadores, no começo dos anos 80.
¿ Quando o presidente Lula se determinou a criar o PT, muitas pessoas diziam que ele estava fazendo o jogo da ditadura (militar), porque estava dividindo as esquerdas. Hoje, isso tudo se revela um equívoco.
E, neste momento, o lugar para onde ir é o lugar da terceira via ¿ afirmou.
Apesar de ter agradado à maioria, a opção pela neutralidade desagradou a um dos principais intelectuais que colaboram com a elaboração do programa de governo de Marina. O coordenador do Núcleo de Economia Socioambiental da USP, José Eli da Veiga, queria que a convenção definisse um manifesto pelo voto nulo: ¿ Sou por uma posição de objeção de consciência, que se traduziria em voto branco ou nulo ou abstenção. O momento do Brasil é mais grave.