Título: FMI: Brasil deve reduzir gasto público
Autor: Ribeiro, Fabiana
Fonte: O Globo, 20/10/2010, Economia, p. 28

Fundo recomenda que país restrinja "operações parafiscais" de bancos estatais

O Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou ontem que o Brasil reduza a expansão do gasto público e restrinja as ¿operações parafiscais¿ (que não aparecem no orçamento) dos bancos públicos. No relatório Perspectivas Econômicas das Américas, o Fundo afirma que as políticas econômicas de muitos países da América da Sul ¿ que experimentaram recentemente um crescimento acima do previsto ¿ deveriam se concentrar em evitar um ¿estímulo excessivo da demanda e do crédito, que poderiam chegar a níveis insustentáveis¿.

Segundo o Fundo, os governos deveriam combinar flexibilidade cambial, para evitar mais capitais, e endurecimento da política fiscal para desestimular uma demanda interna excessiva.

¿No caso do Brasil, a restrição do gasto deverá ser acompanhada de uma diminuição das operações parafiscais dos bancos públicos (o que, por sua vez, permitirá corrigir as distorções do canal de crédito que reduzem a eficácia da política monetária)¿, diz o documento.

Para o FMI, os países exportadores da região deveriam aproveitar a oportunidade que se apresenta com os elevados preços das matérias-primas para acumular recursos fiscais e reduzir a dívida pública líquida.

O FMI advertiu que a expansão rápida e contínua da demanda interna poderia provocar nesses países, com grande fluxo de capital estrangeiro, ¿superaquecimento, inflação e aumento dos déficits em conta corrente¿.

Para o Brasil, o FMI projeta avanço do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) de 7,5% este ano e de 4,1% em 2011.

O FMI aponta que o mercado de capitais da América Latina, especialmente do Brasil, continua atraindo recursos, considerando o contexto de abundante liquidez mundial. Segundo o FMI, ¿o câmbio está se fortalecendo, chegando a superar os níveis de antes da crise¿.