Título: PF prende 8 por fraude em merenda
Autor: Rio, Odilon
Fonte: O Globo, 22/10/2010, O País, p. 18

Em Alagoas, empresários combinavam preços para vencer licitações públicas

OPERAÇÃO CAETÉS, da Polícia Federal: fraude ocorria em seis cidades

MACEIÓ. Oito empresários foram presos pela Polícia Federal em Alagoas acusados de participar de um esquema de fraude para fornecimento de merenda escolar para seis cidades do estado: Lagoa da Canoa, Traipu, Maceió, Arapiraca, Craíbas e Limoeiro de Anadia. Eles foram detidos durante uma operação da PF na manhã de ontem que cumpriu mandados de prisão expedidos pela 8ª Vara da Justiça Federal, na cidade de Arapiraca, agreste alagoano.

Empresas combinavam os preços para as licitações

Os acusados são suspeitos de fraudes em licitações públicas e podem responder por formação de quadrilha e peculato. As irregularidades, envolvendo R$8 milhões de recursos públicos, teriam sido constatadas em pelo menos 13 licitações.

A Polícia Federal não divulgou os nomes dos acusados. Durante toda a manhã, a movimentação foi intensa em frente ao prédio do Instituto Médico-Legal de Maceió, onde os presos foram submetidos a exames, antes de serem levados para a carceragem da PF.

De acordo com o delegado Maurício Coelho, um dos chefes da Operação Caetés, as investigações apuram desvios ocorridos entre 2007 e 2009.

¿ O fato é que desbaratamos uma quadrilha que agia no estado ¿ disse o delegado.

Além dos mandados de prisão, também foram cumpridos 16 de busca e apreensão.

O delegado André Costa, que também investigou o caso, explicou que as empresas combinavam os preços que seriam oferecidos em cada licitação.

¿ As empresas combinavam os preços a serem propostos nas licitações, para vencer o processo ¿ afirmou ele.

Em outro caso, prefeitos acabaram reeleitos

Esta não é a primeira vez que fraudes no fornecimento de merenda são descobertas em Alagoas. Em 2005, prefeitos, ex-prefeitos, funcionários públicos e empresários foram presos na Operação Gabiru, que investigou um esquema de superfaturamento de merenda escolar, através de licitações realizadas pelo Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE). Na época, foram desviados de contas públicas, pelas contas da PF, R$2 milhões. Alguns dos prefeitos das cidades onde as fraudes aconteceram acabaram reeleitos.

A Operação Caeté, como foi denominada pela PF, teve participação conjunta do Ministério Público Federal (MPF), Controladoria Geral da União (CGU) e Secretaria da Fazenda (Sefaz).