Título: Vi a nomeação como uma missão
Autor: Ribeiro, Marcelle
Fonte: O Globo, 21/10/2010, O País, p. 16

De Roma, onde está num evento sobre o Oriente Médio, Dom Raymundo disse que sua nomeação é um sinal da importância da Igreja Católica no Brasil. Ele também afirmou que a Igreja deve dar critérios para ajudar os fiéis nas eleições.

Como recebeu a notícia da nomeação?

DOM RAYMUNDO DAMASCENO ASSIS: Assustado, comovido. Como um gesto de apreço pelo Conselho Episcopal Latino-americano, com a Igreja do Brasil e com o santuário de Aparecida.

A que o senhor atribui o fato de ter sido nomeado?

DOM DAMASCENO: Fui nomeado porque sou presidente do Conselho Episcopal Latino-americano. E o Papa esteve em Aparecida em 2007, foi carinhosamente acolhido, viu o trabalho do santuário, a frequência de fiéis. Não foi em resposta a méritos meus. Vi a nomeação como uma missão.

Para o Brasil, é importante ter mais um cardeal?

DOM DAMASCENO: É sempre sinal da presença da Igreja. Ter nove cardeais é a expressão do reconhecimento da importância da Igreja no país. A América Latina tem 47% dos católicos do mundo e o Brasil representa uma grande quantidade do total.

A religião está pautando os debates eleitorais. Como vê esse debate?

DOM DAMASCENO: Cabe à Igreja dar critérios para ajudar os fiéis a escolher com responsabilidade e com liberdade. A Igreja não pode indicar nomes ou partidos. Os critérios de defesa da vida, do começo ao final, dos direitos humanos, da educação, da saúde, são questões importantes. A responsabilidade do voto é de cada um.

É importante que o presidente seja religioso?

DOM DAMASCENO:É importante, mas não o único critério. Há muitos fatores, como experiência, capacidade, trabalho prestado, transparência e o interesse para o bem comum do país.