Título: Papa Bento XVI anuncia novo cardeal brasileiro
Autor: Ribeiro, Marcelle
Fonte: O Globo, 21/10/2010, O País, p. 16
Com a nomeação do arcebispo de Aparecida, país passa a ter nove clérigos com direito a voto no Vaticano
DOM DAMASCENO passará a integrar o conclave de 120 cardeais
SÃO PAULO. O Papa Bento XVI anunciou ontem que o Brasil vai ganhar mais um cardeal: dom Raymundo Damasceno Assis, atualmente arcebispo de Aparecida, em São Paulo. Próximo do pontífice e atual presidente do Conselho Episcopal Latino-americano, dom Damasceno terá direito a voto numa eventual decisão sobre o sucessor de Bento XVI. Com o anúncio, o país passará a ter nove cardeais.
Mineiro de Capela Nova, dom Damasceno Assis tem 73 anos e desde 2004 está à frente da Arquidiocese de Aparecida, cidade que atrai milhares de romeiros devido ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida. Foi ordenado padre em 1968, para a Arquidiocese de Brasília, e já foi por duas vezes secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Ele foi nomeado junto com outros 23 clérigos e terá direito a integrar o conclave de 120 membros que elegerá secretamente o sucessor do Papa Bento XVI ¿ principal missão dos cardeais, conhecidos como os ¿príncipes da Igreja¿ por serem conselheiros do Papa. Dom Damasceno tem menos de 80 anos, assim como outros 19 dos novos cardeais anunciados ontem. Dentre eles, há 11 europeus, dois americanos, quatro africanos e um asiático. Na América Latina, além de Damasceno Assis, foi nomeado o arcebispo de Quito, Raul Eduardo Vela Chiriboga.
Dom Damasceno ¿ que já é membro do Pontifício Conselho para as Comunicações ¿ acredita que continuará à frente da Diocese de Aparecida e não sabe ainda se receberá alguma missão mais próxima ao Papa:
¿ Estou sempre à disposição naquilo que o Papa decidir.
O Brasil já tem oito cardeiais. Os 24 novos cardeais serão nomeados em cerimônia no dia 20 de novembro. Com a Igreja sacudida por denúncias de abusos sexuais em diversos países, o Papa nomeou como cardeal o arcebispo de Munique, Reinhard Marx, que tem participado de uma campanha para expurgar um bispo alemão acusado de pedofilia. Bento XVI, no entanto, deixou de fora o arcebispo de Dublin, Diarmuid Martin, um dos líderes do movimento que prega maior abertura da Igreja na hora de lidar com os escândalos de abusos sexuais.
COLABOROU: José Figueiredo