Título: EUA propõem limites a desequilíbrio de déficit e superávit fiscais no G-20
Autor:
Fonte: O Globo, 23/10/2010, Economia, p. 28

Medida é recebida com frieza em reunião de ministros de Finanças do grupo GYEONGJU, Coreia do Sul. Os Estados Unidos tentaram ontem obter apoio para uma proposta que impõe limites aos desequilíbrios externos, numa forma de pressionar países com superávits, como a China, a deixarem suas taxas de câmbio subirem. Numa carta aos ministros de Finanças do G-20 (grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo), o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, afirmou que os países deveriam adotar políticas que reduzam seus atuais desequilíbrios.

O ministro de Finanças do Japão, Yoshihiko Noda, afirmou que Geithner propôs limites máximos de superávits e déficits de contas correntes ¿ a medida mais ampla de troca de bens e serviços ¿ para 4% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país).

China é contra qualquer limite, afirma fonte do G-20 A proposta, porém, foi recebida com frieza no primeiro de dois dias de reuniões, que buscam amenizar o caminho para a cúpula do G-20, que será realizada em 11 e 12 de novembro, em Seul. Países que são grande exportadores, com altos superávits comerciais, lideraram a oposição à proposta.

Segundo uma fonte, os ministros de Finanças tentar obter um compromisso que evite a ¿desvalorização competitiva¿ de suas moedas.

Já outra fonte do G-20 disse que a China é contra qualquer limite sobre desequilíbrios. O ministro da Economia da Alemanha, Rainer Bruederie, alertou para um retrocesso ao modelo de economia planificada.

Já o vice-ministro russo de Finanças, Dmitry Pankin, afirmou que um comunicado a ser divulgado hoje vai eliminar metas numéricas da proposta.

¿ O comunicado é bastante politicamente correto. Não há qualquer exagero nele ¿ disse Pankin. ¿ A longo prazo, o foco deve ser nas taxas de juros que reflitam as condições do mercado. Interferência excessiva do Estado em câmbio deveria ser evitada.

Noda também demonstrou ceticismo: ¿ Duvidamos que metas numéricas rígidas devam ser impostas.

As críticas à proposta americana revelam as dificuldades que o G-20 enfrenta para colocar a economia mundial num patamar mais estável, capaz de desarmar tensões cambiais, que, segundo economistas, podem detonar guerras comerciais. Os juros baixos nos EUA e o controle do câmbio pela China são extremos do desequilíbrio atual.

Brasil e Tailândia, por exemplo, começaram a taxar o fluxo de capital estrangeiro